{"id":227681,"date":"2026-06-12T15:15:00","date_gmt":"2026-06-12T18:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=227681"},"modified":"2026-06-11T16:15:43","modified_gmt":"2026-06-11T19:15:43","slug":"cientistas-do-texas-desenvolvem-um-tipo-de-concreto-vivo-que-cura-suas-proprias-rachaduras-usando-liquens-sinteticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/06\/12\/cientistas-do-texas-desenvolvem-um-tipo-de-concreto-vivo-que-cura-suas-proprias-rachaduras-usando-liquens-sinteticos\/","title":{"rendered":"Cientistas do Texas desenvolvem um tipo de &#8220;concreto vivo&#8221; que cura suas pr\u00f3prias rachaduras usando l\u00edquens sint\u00e9ticos"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde o in\u00edcio da <strong>urbaniza\u00e7\u00e3o<\/strong> em larga escala, o <strong>concreto<\/strong> se tornou a base de estradas, viadutos, pr\u00e9dios e barragens. No entanto, ao longo do tempo, surgem fissuras que permitem a entrada de \u00e1gua e agentes qu\u00edmicos, acelerando a corros\u00e3o de armaduras e comprometendo a durabilidade. Em resposta a esse cen\u00e1rio, ganha espa\u00e7o nos laborat\u00f3rios o chamado <strong>concreto vivo<\/strong>, pensado para participar ativamente da pr\u00f3pria conserva\u00e7\u00e3o e contribuir para uma <strong>infraestrutura sustent\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 concreto vivo e por que ele \u00e9 considerado um material inteligente?<\/h2>\n\n\n\n<p>O <strong>concreto vivo<\/strong> pertence a uma classe de <strong>materiais inteligentes<\/strong>, projetados para responder a est\u00edmulos do ambiente. Em vez de apenas endurecer e permanecer est\u00e1tico, ele incorpora sistemas capazes de reagir quando surgem pequenos danos na sua estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses sistemas iniciam processos de <strong>autocura<\/strong> do concreto, preenchendo <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/06\/09\/engenheiros-da-drexel-desenvolvem-paredes-com-canais-vasculares-termorreguladores-inspirados-em-orelhas-de-elefante-reduzindo-o-consumo-de-energia-em-edificios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">microfissuras <\/a>antes que se tornem rachaduras maiores. Esse comportamento \u00e9 especialmente relevante em obras extensas, onde pequenos danos podem passar despercebidos por longos per\u00edodos e gerar altos custos de <strong>manuten\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_secao-ampliada-de-concret_brXEGDu5Y2-1-1024x572.jpeg\" alt=\"Cientistas do Texas desenvolvem um tipo de &quot;concreto vivo&quot; que cura suas pr\u00f3prias rachaduras usando l\u00edquens sint\u00e9ticos\" class=\"wp-image-227691\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_secao-ampliada-de-concret_brXEGDu5Y2-1-1024x572.jpeg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_secao-ampliada-de-concret_brXEGDu5Y2-1-300x167.jpeg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_secao-ampliada-de-concret_brXEGDu5Y2-1-768x429.jpeg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_secao-ampliada-de-concret_brXEGDu5Y2-1-750x419.jpeg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_secao-ampliada-de-concret_brXEGDu5Y2-1-1140x636.jpeg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_secao-ampliada-de-concret_brXEGDu5Y2-1.jpeg 1279w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Concreto vivo desenvolvido no Texas promete estruturas mais resistentes e sustent\u00e1veis no futuro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como funciona a autocura do concreto com l\u00edquens sint\u00e9ticos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos caminhos mais estudados para criar <strong>concreto autorreparador<\/strong> \u00e9 combinar <strong>microrganismos<\/strong> em um sistema est\u00e1vel. Pesquisas da <strong>Universidade Texas A&amp;M<\/strong>, coordenadas por Congrui Grace Jin, utilizam um cons\u00f3rcio de <strong>cianobact\u00e9rias<\/strong> e fungos filamentosos, organizado como um <strong>l\u00edquen sint\u00e9tico<\/strong> dentro da matriz do concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do material, esse conjunto se comporta como um <strong>microecossistema<\/strong> capaz de se manter ativo com recursos do pr\u00f3prio ambiente. As <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/06\/09\/telhados-frios-em-atlanta-ajudam-a-reduzir-calor-urbano-e-economizar-energia-em-dias-extremos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cianobact\u00e9rias <\/a>captam energia luminosa e CO\u2082 do ar, enquanto os fungos ajudam a concentrar c\u00e1lcio ionizado nas regi\u00f5es danificadas, favorecendo a forma\u00e7\u00e3o de <strong>carbonato de c\u00e1lcio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender melhor a fun\u00e7\u00e3o de cada componente desse sistema <strong>biotecnol\u00f3gico<\/strong>, \u00e9 \u00fatil observar como eles atuam de forma integrada:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cianobact\u00e9rias<\/strong>: utilizam luz solar e CO\u2082 do ar como fontes de energia e carbono.<\/li>\n\n\n\n<li>Fungos filamentosos: contribuem para a concentra\u00e7\u00e3o de <strong>c\u00e1lcio<\/strong> nas zonas fissuradas.<\/li>\n\n\n\n<li>Carbonato de c\u00e1lcio: atua como material de preenchimento e selagem das <strong>microfissuras<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>L\u00edquen sint\u00e9tico: re\u00fane esses <strong>organismos<\/strong> em uma estrutura \u00fanica, est\u00e1vel e controlada.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De que forma o concreto vivo contribui para a constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel?<\/h2>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre <strong>constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel<\/strong> envolve diretamente o impacto do cimento nas emiss\u00f5es globais de di\u00f3xido de carbono. A produ\u00e7\u00e3o desse insumo libera grandes quantidades de CO\u2082, tanto pela queima de combust\u00edveis quanto pelas rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas envolvidas no <strong>cl\u00ednquer<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao aumentar a durabilidade, o concreto sustent\u00e1vel com sistemas de <strong>autocura<\/strong> ajuda a conter esse ciclo de demoli\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o. Estruturas que resistem por mais tempo, com menos reparos profundos, demandam menos cimento, menos transporte de materiais e geram menos res\u00edduos ao longo das d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Diminui\u00e7\u00e3o do consumo de <strong>cimento<\/strong> ao longo da vida \u00fatil das obras.<\/li>\n\n\n\n<li>Redu\u00e7\u00e3o de res\u00edduos gerados em demoli\u00e7\u00f5es parciais e reparos <strong>extensos<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>Menor necessidade de interven\u00e7\u00f5es em locais de dif\u00edcil acesso ou alto <strong>risco<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>Contribui\u00e7\u00e3o para metas de redu\u00e7\u00e3o de <strong>emiss\u00f5es<\/strong> em cidades e ind\u00fastrias.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_bloco-de-concreto-com-uma_KjoQnnSkqp-1-1024x572.jpeg\" alt=\"Cientistas do Texas desenvolvem um tipo de &quot;concreto vivo&quot; que cura suas pr\u00f3prias rachaduras usando l\u00edquens sint\u00e9ticos\" class=\"wp-image-227692\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_bloco-de-concreto-com-uma_KjoQnnSkqp-1-1024x572.jpeg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_bloco-de-concreto-com-uma_KjoQnnSkqp-1-300x167.jpeg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_bloco-de-concreto-com-uma_KjoQnnSkqp-1-768x429.jpeg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_bloco-de-concreto-com-uma_KjoQnnSkqp-1-750x419.jpeg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_bloco-de-concreto-com-uma_KjoQnnSkqp-1-1140x636.jpeg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/magnific_bloco-de-concreto-com-uma_KjoQnnSkqp-1.jpeg 1279w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Novo concreto vivo usa l\u00edquens sint\u00e9ticos para reparar fissuras sem ajuda humana constante<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o concreto vivo e o concreto romano?<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando se fala em durabilidade, o <strong>concreto romano<\/strong> costuma ser refer\u00eancia por manter estruturas em uso h\u00e1 s\u00e9culos, muitas em ambientes marinhos. Estudos indicam que ingredientes como <strong>cinzas vulc\u00e2nicas<\/strong> favoreciam rea\u00e7\u00f5es minerais tardias que preenchiam microfissuras, promovendo uma esp\u00e9cie de \u201cautorrepara\u00e7\u00e3o qu\u00edmica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>concreto vivo<\/strong> segue l\u00f3gica semelhante de reparo, mas baseado em <strong>biotecnologia<\/strong> na constru\u00e7\u00e3o. Em vez de contar apenas com rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas espont\u00e2neas, integra sistemas fototr\u00f3ficos e heterotr\u00f3ficos que<a href=\"https:\/\/engineering.tamu.edu\/news\/2025\/04\/cracking-the-code-deciphering-how-concrete-can-heal-itself.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> permanecem ativos<\/a> ap\u00f3s o endurecimento, abrindo novas possibilidades para <strong>materiais<\/strong> de constru\u00e7\u00e3o inovadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais desafios dificultam o uso do concreto vivo em larga escala?<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, a ado\u00e7\u00e3o ampla do <strong>concreto autorreparador<\/strong> ainda exige respostas t\u00e9cnicas e normativas. \u00c9 preciso testar o desempenho em climas distintos, com varia\u00e7\u00f5es de temperatura, diferentes n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o, umidade elevada e ambientes marinhos <strong>agressivos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental avaliar por quanto tempo o sistema biol\u00f3gico se mant\u00e9m funcional dentro do concreto e se a taxa de forma\u00e7\u00e3o de minerais atende a diferentes tipos de dano. Esses estudos devem garantir que resist\u00eancia mec\u00e2nica, ader\u00eancia de armaduras, comportamento em inc\u00eandios e <strong>durabilidade<\/strong> n\u00e3o sejam comprometidos, permitindo que o concreto vivo se consolide como ferramenta complementar para ampliar a vida \u00fatil das constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o in\u00edcio da urbaniza\u00e7\u00e3o em larga escala, o concreto se tornou a base de estradas, viadutos, pr\u00e9dios e barragens. No entanto, ao longo do tempo, surgem fissuras que permitem a entrada de \u00e1gua e agentes qu\u00edmicos, acelerando a corros\u00e3o de armaduras e comprometendo a durabilidade. 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