{"id":219767,"date":"2026-06-07T20:35:00","date_gmt":"2026-06-07T23:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=219767"},"modified":"2026-06-06T17:01:29","modified_gmt":"2026-06-06T20:01:29","slug":"pesquisadores-da-universidade-de-washington-e-da-microsoft-reduziram-a-pegada-de-carbono-do-cimento-em-21-ao-incorporar-algas-marinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/06\/07\/pesquisadores-da-universidade-de-washington-e-da-microsoft-reduziram-a-pegada-de-carbono-do-cimento-em-21-ao-incorporar-algas-marinhas\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da Universidade de Washington e da Microsoft reduziram a pegada de carbono do cimento em 21% ao incorporar algas marinhas"},"content":{"rendered":"\n<p>O desenvolvimento de um <strong>cimento com algas<\/strong> vem ganhando espa\u00e7o como alternativa para diminuir a <strong>pegada de carbono<\/strong> da constru\u00e7\u00e3o civil. A proposta parte de um problema conhecido: o concreto \u00e9 indispens\u00e1vel em obras de infraestrutura, mas o cimento tradicional est\u00e1 entre as atividades industriais que mais emitem CO\u2082, o que incentiva universidades e centros de pesquisa a buscar novas solu\u00e7\u00f5es com biomassa marinha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 o cimento com algas e por que ele \u00e9 considerado sustent\u00e1vel?<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em substituir totalmente o cimento convencional, e sim em alterar parte de sua composi\u00e7\u00e3o. Algas marinhas secas e transformadas em p\u00f3 s\u00e3o incorporadas \u00e0 mistura, dando origem a um <strong>cimento sustent\u00e1vel<\/strong> que preserva a fun\u00e7\u00e3o estrutural e reduz o impacto clim\u00e1tico estimado.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 usar organismos que capturam carbono durante o <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/05\/27\/universidade-indiana-constroi-cobertura-escalonada-com-9-000-lugares-inspirada-em-pocos-historicos-de-mil-anos-para-melhorar-a-ventilacao-e-o-uso-publico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">crescimento <\/a>como aliados no redesenho do concreto usado em ruas, pontes, pr\u00e9dios e outras estruturas. Assim, parte do CO\u2082 que entraria na atmosfera passa a ficar \u201carmazenado\u201d em materiais de longa vida \u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144354.473-1024x576.jpg\" alt=\"Pesquisadores da Universidade de Washington e da Microsoft reduziram a pegada de carbono do cimento em 21% ao incorporar algas marinhas\" class=\"wp-image-219770\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144354.473-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144354.473-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144354.473-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144354.473-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144354.473-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144354.473.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Algas marinhas viram ingrediente de cimento de baixo carbono com ajuda de intelig\u00eancia artificial<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diferencia o cimento com algas do cimento tradicional?<\/h2>\n\n\n\n<p>No processo cl\u00e1ssico, o cimento \u00e9 produzido principalmente a partir de calc\u00e1rio, aquecido a altas temperaturas em fornos que consomem combust\u00edveis f\u00f3sseis. Essa etapa libera CO\u2082 tanto pela queima de energia quanto pela decomposi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do calc\u00e1rio, elevando o <strong>potencial de aquecimento global<\/strong> do material.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao introduzir uma fra\u00e7\u00e3o de biomassa de algas na mistura, parte desse material mineral \u00e9 substitu\u00edda por carbono j\u00e1 removido da atmosfera. Em uma das formula\u00e7\u00f5es estudadas, cerca de 5% em massa do ligante vem de biomassa marinha, reduzindo em torno de 21% o potencial de aquecimento global, sem perda significativa de <strong>resist\u00eancia mec\u00e2nica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como as algas marinhas s\u00e3o incorporadas ao cimento?<\/h2>\n\n\n\n<p>O ponto de partida \u00e9 a escolha da esp\u00e9cie adequada, considerando crescimento r\u00e1pido, <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/05\/27\/um-projeto-alemao-visa-converter-6-milhoes-de-toneladas-anuais-de-cinzas-provenientes-da-incineracao-de-residuos-domesticos-em-um-substituto-para-areia-e-cascalho-usados-em-estradas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">disponibilidade <\/a>regional e composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica est\u00e1vel. No estudo citado, a biomassa usada pertence ao g\u00eanero <strong>Ulva<\/strong>, um tipo de alga verde comum em zonas costeiras, que retira CO\u2082 do ar e o converte em mat\u00e9ria org\u00e2nica durante a fotoss\u00edntese.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a colheita, essa biomassa \u00e9 desidratada e mo\u00edda at\u00e9 virar um p\u00f3 fino, adequado para ser misturado ao cimento. O uso da <strong>biomassa marinha<\/strong> apresenta particularidades que despertam interesse na \u00e1rea de <strong>materiais de constru\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gicos<\/strong>, pois combina captura de carbono com menor competi\u00e7\u00e3o por terra e \u00e1gua doce.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O cultivo pode ocorrer em \u00e1reas costeiras, sem competir com terras <strong>agr\u00edcolas<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>H\u00e1 menor depend\u00eancia direta de \u00e1gua doce, em compara\u00e7\u00e3o com culturas <strong>terrestres<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>O ciclo de crescimento \u00e9 relativamente r\u00e1pido, permitindo v\u00e1rias colheitas ao ano.<\/li>\n\n\n\n<li>Parte do carbono fixado na biomassa passa a compor o pr\u00f3prio material de <strong>constru\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os desafios para ampliar o uso de cimento de baixo carbono com algas?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em termos de <strong>cimento de baixo carbono<\/strong>, a solu\u00e7\u00e3o com algas marinhas integra um movimento maior de repensar a composi\u00e7\u00e3o do concreto. Esc\u00f3rias de alto-forno, cinzas e outros materiais suplementares j\u00e1 s\u00e3o usados em diversas regi\u00f5es, e as algas surgem como complemento ligado \u00e0 <strong>bioeconomia marinha<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ressaltam que qualquer proposta de <strong>constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel<\/strong> baseada em biomassa marinha precisa considerar fatores como log\u00edstica, custo, padroniza\u00e7\u00e3o e impacto ambiental do cultivo. Por isso, o <strong>concreto com algas<\/strong> ainda \u00e9 classificado como tecnologia experimental, apesar dos resultados iniciais promissores em emiss\u00f5es e desempenho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144408.296-1024x576.jpg\" alt=\"Pesquisadores da Universidade de Washington e da Microsoft reduziram a pegada de carbono do cimento em 21% ao incorporar algas marinhas\" class=\"wp-image-219769\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144408.296-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144408.296-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144408.296-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144408.296-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144408.296-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Texto-do-seu-paragrafo-2026-05-28T144408.296.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cimento com algas reduz pegada de carbono sem perder resist\u00eancia e aponta futuro mais limpo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a intelig\u00eancia artificial ajuda no desenvolvimento do cimento com algas?<\/h2>\n\n\n\n<p>Um ponto marcante da pesquisa \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de <strong>intelig\u00eancia artificial<\/strong> no cimento para acelerar o estudo de composi\u00e7\u00f5es. Em vez de testar misturas apenas de forma emp\u00edrica, modelos de aprendizado de m\u00e1quina analisam dados de ensaios anteriores e sugerem novas formula\u00e7\u00f5es com maior probabilidade de atender aos crit\u00e9rios desejados.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo envolve coletar dados de propor\u00e7\u00f5es, tempos de cura e <a href=\"https:\/\/www.washington.edu\/news\/2025\/07\/17\/seaweed-infused-cement-could-cut-concretes-carbon-footprint\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resultados de resist\u00eancia<\/a>, treinar modelos que relacionem composi\u00e7\u00e3o e desempenho esperado e, depois, gerar recomenda\u00e7\u00f5es de misturas com biomassa de algas. Assim, reduz-se o n\u00famero de prot\u00f3tipos f\u00edsicos necess\u00e1rios, sem eliminar a etapa essencial de testes em <strong>laborat\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o as perspectivas futuras para o cimento com algas?<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 2026, o <strong>cimento com algas<\/strong> permanece em fase de avalia\u00e7\u00e3o, com foco em durabilidade, comportamento em diferentes condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e custo de produ\u00e7\u00e3o em larga escala. Regi\u00f5es costeiras com tradi\u00e7\u00e3o em cultivo de algas despontam como candidatas naturais para projetos-piloto, reduzindo dist\u00e2ncias log\u00edsticas entre fazendas marinhas, f\u00e1bricas de cimento e centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o em estudo varia\u00e7\u00f5es de receita que combinam algas com outros insumos de menor impacto, como cinzas ou res\u00edduos minerais, compondo um portf\u00f3lio de solu\u00e7\u00f5es para <strong>redu\u00e7\u00e3o de CO\u2082<\/strong> no concreto. O avan\u00e7o da <strong>pesquisa acad\u00eamica<\/strong>, a participa\u00e7\u00e3o de empresas de tecnologia e a adapta\u00e7\u00e3o das normas de engenharia civil ser\u00e3o decisivos para levar o cimento com algas dos laborat\u00f3rios aos canteiros de obras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenvolvimento de um cimento com algas vem ganhando espa\u00e7o como alternativa para diminuir a pegada de carbono da constru\u00e7\u00e3o civil. 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