{"id":267369,"date":"2026-08-27T16:59:00","date_gmt":"2026-08-27T19:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/?p=267369"},"modified":"2026-08-27T12:42:04","modified_gmt":"2026-08-27T15:42:04","slug":"ha-533-milhoes-de-anos-o-atlantico-rompeu-a-barreira-de-gibraltar-e-uma-inundacao-colossal-pode-ter-preenchido-o-mediterraneo-rebaixado-em-apenas-2-a-16-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/2026\/08\/27\/ha-533-milhoes-de-anos-o-atlantico-rompeu-a-barreira-de-gibraltar-e-uma-inundacao-colossal-pode-ter-preenchido-o-mediterraneo-rebaixado-em-apenas-2-a-16-anos\/","title":{"rendered":"H\u00e1 5,33 milh\u00f5es de anos, o Atl\u00e2ntico rompeu a barreira de Gibraltar e uma inunda\u00e7\u00e3o colossal pode ter preenchido o Mediterr\u00e2neo rebaixado em apenas 2 a 16 anos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 5,33 milh\u00f5es de anos, uma ruptura em <strong>Gibraltar<\/strong> reconectou o Atl\u00e2ntico ao Mediterr\u00e2neo ap\u00f3s forte rebaixamento do mar. Modelos estimam que a megainunda\u00e7\u00e3o despejou <strong>68 a 100 milh\u00f5es de m\u00b3 por segundo<\/strong> e pode ter preenchido grande parte da bacia em apenas <strong>2 a 16 anos<\/strong>, deixando marcas preservadas na Sic\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o Mediterr\u00e2neo estava t\u00e3o rebaixado antes da megainunda\u00e7\u00e3o Zancleana?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da reconex\u00e3o, o Mediterr\u00e2neo atravessava a <strong>Crise de Salinidade Messiniana<\/strong>, per\u00edodo em que ficou fortemente isolado do Atl\u00e2ntico. A evapora\u00e7\u00e3o superava a reposi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, favorecendo grandes dep\u00f3sitos de sal e um <strong>rebaixamento do n\u00edvel do mar em escala quilom\u00e9trica<\/strong> dentro da bacia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a terminou por volta de 5,33 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, quando a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zanclean_flood\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>inunda\u00e7\u00e3o Zancleana<\/strong><\/a> restabeleceu a liga\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica. O cen\u00e1rio mais aceito envolve \u00e1gua atl\u00e2ntica ultrapassando uma barreira pr\u00f3xima ao atual estreito de Gibraltar e avan\u00e7ando primeiro pelo Mediterr\u00e2neo ocidental.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Geological_reconstruction_after_\u2026_202608271237-1024x576.jpg\" alt=\"Megainunda\u00e7\u00e3o Zancleana e o retorno do Mediterr\u00e2neo\" class=\"wp-image-267376\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Geological_reconstruction_after_\u2026_202608271237-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Geological_reconstruction_after_\u2026_202608271237-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Geological_reconstruction_after_\u2026_202608271237-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Geological_reconstruction_after_\u2026_202608271237-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Geological_reconstruction_after_\u2026_202608271237-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Geological_reconstruction_after_\u2026_202608271237.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Megainunda\u00e7\u00e3o Zancleana e o retorno do Mediterr\u00e2neo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o Atl\u00e2ntico conseguiu atravessar Gibraltar e acelerar a pr\u00f3pria inunda\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1gua come\u00e7ou a transpor o relevo e a escavar o caminho de entrada. O estudo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s43247-024-01972-w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Land-to-sea indicators of the Zanclean megaflood<\/strong><\/a> re\u00fane evid\u00eancias de que esse processo terminou em uma <strong>inunda\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica<\/strong>, capaz de transportar volumes extraordin\u00e1rios de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto maior ficava o canal, mais \u00e1gua conseguia passar, aumentando a eros\u00e3o e ampliando novamente a passagem. As estimativas usadas pelos pesquisadores apontam <strong>68 a 100 Sverdrups<\/strong>, sendo um Sverdrup igual a um milh\u00e3o de metros c\u00fabicos por segundo, e dura\u00e7\u00e3o total estimada entre <strong>2 e 16 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais marcas na Sic\u00edlia indicam que a \u00e1gua passou com for\u00e7a extrema?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores encontraram mais de <strong>300 cristas alongadas e assim\u00e9tricas<\/strong> no sudeste da Sic\u00edlia, alinhadas com a dire\u00e7\u00e3o prevista do fluxo. A <a href=\"https:\/\/www.southampton.ac.uk\/geography\/news\/2025\/01\/new-evidence-suggests-megaflood-refilled-the-mediterranean-sea-five-million-years-ago.page\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Universidade de Southampton<\/strong><\/a> tamb\u00e9m descreve um canal erosivo de cerca de <strong>20 km de largura<\/strong> conectado ao c\u00e2nion submarino de Noto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As <strong>principais evid\u00eancias geol\u00f3gicas<\/strong> aparecem em diferentes escalas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cristas erodidas:<\/strong> centenas de formas do relevo apontam na dire\u00e7\u00e3o esperada para a passagem da \u00e1gua.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Brecha mal selecionada:<\/strong> uma camada de fragmentos rochosos indica deposi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e muito energ\u00e9tica.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Canal submarino:<\/strong> a estrutura larga conecta as marcas em terra ao caminho seguido rumo ao Mediterr\u00e2neo oriental.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Water_eroding_bedrock_in_channel_202608271237-1024x576.jpg\" alt=\"Megainunda\u00e7\u00e3o Zancleana e o retorno do Mediterr\u00e2neo\" class=\"wp-image-267375\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Water_eroding_bedrock_in_channel_202608271237-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Water_eroding_bedrock_in_channel_202608271237-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Water_eroding_bedrock_in_channel_202608271237-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Water_eroding_bedrock_in_channel_202608271237-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Water_eroding_bedrock_in_channel_202608271237-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Water_eroding_bedrock_in_channel_202608271237.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Megainunda\u00e7\u00e3o Zancleana e o retorno do Mediterr\u00e2neo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que significa uma vaz\u00e3o de at\u00e9 100 milh\u00f5es de m\u00b3 por segundo?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse n\u00famero n\u00e3o representa um rio est\u00e1vel, mas um <strong>pico modelado para uma megainunda\u00e7\u00e3o<\/strong>. As simula\u00e7\u00f5es indicam que o fluxo se intensificou quando a \u00e1gua cruzou a soleira da Sic\u00edlia, passagem elevada que separava as bacias ocidental e oriental, alcan\u00e7ando velocidades de at\u00e9 <strong>32 metros por segundo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O volume ajuda a explicar a escala das marcas preservadas. Uma corrente desse porte poderia <strong>escavar canais, arrancar sedimentos e remodelar o relevo<\/strong> durante o avan\u00e7o. Por isso, a inunda\u00e7\u00e3o \u00e9 apontada como possivelmente a maior conhecida no registro geol\u00f3gico terrestre, embora detalhes de sua evolu\u00e7\u00e3o ainda sejam investigados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emalta\/2026\/08\/26\/ha-2-400-anos-um-navio-grego-afundou-no-mar-negro-e-a-falta-de-oxigenio-a-mais-de-2-km-de-profundidade-preservou-a-embarcacao-praticamente-inteira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">H\u00e1 2.400 anos, um navio grego afundou no Mar Negro e a falta de oxig\u00eanio a mais de 2 km de profundidade preservou a embarca\u00e7\u00e3o praticamente inteira<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como essa inunda\u00e7\u00e3o transformou o Mediterr\u00e2neo no mar que existe hoje?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reconex\u00e3o encerrou uma fase em que a bacia acumulava enormes dep\u00f3sitos de sal e apresentava n\u00edveis muito inferiores aos atuais. Com a entrada do Atl\u00e2ntico, <strong>condi\u00e7\u00f5es marinhas profundas voltaram a ocupar o Mediterr\u00e2neo<\/strong>, alterando sedimentos, circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e ambientes que haviam se desenvolvido durante o isolamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas evid\u00eancias da Sic\u00edlia tornam mais consistente um processo extremamente r\u00e1pido em termos geol\u00f3gicos. A <strong>megainunda\u00e7\u00e3o Zancleana<\/strong> mostra como uma passagem estreita entre dois grandes corpos d&#8217;\u00e1gua pode desencadear uma transforma\u00e7\u00e3o continental quando eros\u00e3o, diferen\u00e7a de n\u00edvel e vaz\u00e3o passam a refor\u00e7ar umas \u00e0s outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 5,33 milh\u00f5es de anos, uma ruptura em Gibraltar reconectou o Atl\u00e2ntico ao Mediterr\u00e2neo ap\u00f3s forte rebaixamento do mar. 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