Em que mundo vivem os governantes das grandes potências? Quando se vê o presidente dos Estados Unidos usar todo poderio militar para começar guerras que não sabe acabar, parece que ele vive em um desses mundos de ficção distópica. Guerras sem fim em que só se luta, se mata e se destrói, sem saber por quê ou para quê. Putin e Netanyahu, com suas guerras de destruição para ocupar territórios, parecem viver em um mundo paralelo que mistura conflitos entre barões e guerras imperialistas de ocupação.
Donald Trump atacou o Irã com base em um coquetel delirante de mentiras e fantasias. Inventou desculpas sucessivas para justificar o ataque sem sentido algum. Marcou e remarcou data para o fim das operações sem jamais cumprir o que prometeu. Fez ameaças vazias, blefou, recuou, perdeu a credibilidade. O Irã percebeu e começou a cobrir os blefes americanos e faturar.
O que Trump conseguiu? Perder popularidade, contratar o fiasco eleitoral e uma crise energética, fonte de inflação e recessão em boa parte do mundo. Faith Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, afirmou que a crise energética provocada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã causou a maior disrupção no suprimento que o mundo já experimentou. Tem o efeito combinado dos dois grandes choques do petróleo do passado. A crise agrícola por escassez de fertilizantes é iminente. O Hemisfério Norte entra na primavera, é tempo de plantio. A safra será menor.
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Putin atacou a Ucrânia para anexar territórios próximos à Rússia, e resolveu avançar mais. Também não sabe como terminar a guerra que começou. Devastou cidades ucranianas, matou milhares de civis, teve perdas russas pesadas. O mundo assistiu a tudo com críticas ao autocrata russo, e provendo armas e financiamento ao país invadido. Impõe sanções econômicas à Rússia sem ter efeito dissuasório relevante. Trump apoiou Putin, recuou, impôs sanções ao petróleo russo, que retirou ao atacar o Irã, financiou e armou a Ucrânia, agora ameaça deixar de apoiar o país, como se ele tivesse papel igual ao da Rússia na recusa em acabar a guerra. A China assiste calada.