Subir acima dos 50° de latitude faz bem, seja viajando ou através de livros, pesquisas, filmes e séries. As raízes latinas nos trazem a identificação cultural com Portugal, Espanha, Itália e França. Línguas parecidas, hábitos, clima mais palatável, belas praias e belezas naturais.
A cultura latina é sensorial e sensual. Come-se muito bem nesses países, a moda italiana e francesa são referências mundiais, os jogos de sedução e a ênfase na sexualidade fazem parte desse todo. Ser latino é gostar de comer, beber, se vestir bem e amar.
Já há alguns anos, a descoberta do estilo de vida e os valores dos países do Norte Europeu suplantaram o da cultura do Mediterrâneo. O acontecimento do design escandinavo foi um dos impulsionadores dessa tendência.
Austeridade com bom gosto, nada de ostentação mas muita qualidade, valorização do essencial e de uma simplicidade maior na forma de fazer tudo, de arrumar uma mesa a criar um prato, foram valores assimilados.
Graças a uma cultura “low-profile” da Bélgica à Escandinávia e à pouca influência do estilo de vida dos Estados Unidos, os países do Norte trabalham menos horas, pedalam mais, se vestem com mais descontração e cultivam valores como não falar de dinheiro e de não serem afetados. Pega mal nesses países esse tipo de conduta. E quase ninguém usa o celular à mesa dos restaurantes.
Nesses países, o vinho natural reina nos restaurantes, cafés e padarias. É conhecido que o vinho é classicamente produzido abaixo da latitude de 50°. Mas o aquecimento global e modernas técnicas de produção mudaram esse cenário. E veio uma renovação interessante na forma de produzir e degustar vinhos.
Particularmente, adoro vinho natural. Por definição, são vinhos feitos a partir de uvas cultivadas de forma orgânica onde não se acrescenta nada de fora e também não se tira nada do vinho no seu processo de produção, a não ser ocasionalmente uma quantidade mínima de derivado de enxofre.
Nos demais vinhos, 72 possíveis aditivos podem ser acrescentados de forma absolutamente legal. Outro aspecto que adoro são as suas uvas.
Experimente beber vinhos feitos com as uvas: Johanniter, Solaris, Acolon, Baron – Bianca, Cabernet Blanc, Cabernet Cortis, Cabernet Noir, Cabertin, Helios, Kerner, Leon Millot, Lemberger, Marechal Foch, Muscaris , Phoenix, Pinotin, Regent, Riesel, Rondo, Satin Noir , Savagnin e Cabernet Dorsa.
Há ótimos vinhos na Holanda e na Bélgica. Como vinho é história, os Países Baixos têm diferenças culturais e nos sabores de seus vinhos se são produzidos abaixo ou acima dos rios que cortam o país ao meio.
O Império Romano chegou apenas até o Sul, que ficou com um toque latino - ali a Religião Católica predomina, há carnaval, as pessoas são calorosas, gentis e são estetas ao se vestir. Acima dos rios a cultura é austera, nórdica, calvinista, os vinhos são ótimos e refletem essa austeridade.
A Bélgica é um país novo, que existe há apenas 196 anos, e é interessante por ser onde ocorre a interseção entre a cultura latina e a nórdica. O Sul fala francês e o Norte fala Flamengo, derivado do holandês. Embora as diferenças culturais sejam grandes e a rivalidade também, a cultura latina está lá, no gosto pela gastronomia, pela moda e pelas artes plásticas.
A Antuérpia é cheia de galerias, estilistas que alçaram fama internacional, tem ótimos restaurantes e Wine Bar com vinhos belgas, o Belgian Wines.
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O Norte está na frente em muita coisa. O mundo muda a cada dia, não para e vai seguir mudando. O vinho natural veio para ficar.