Andamos todos às voltas, curiosos, pensando em quem somos, como devemos agir diante das nossas escolhas, enfim, sobre o comportamento humano. O que acontece no cotidiano, muitas vezes, nos surpreende positiva e negativamente. E nos assusta. O ser humano construiu a civilização, a ciência, a medicina e tudo que temos. Esse é o lado A.
Por sermos seres de linguagem, prematuros, precisamos ser cuidados para sobreviver. Mais do que isso, educados. Temos de aprender tudo. Primeiro, a linguagem que assimilamos pela sonoridade das vozes de nossos cuidadores. São sons afetivos que nos forjam. E é através dela que, da pura naturalidade em que nascemos, entramos para a cultura.
Daí aprendemos as mínimas coisas, somos lapidados, abandonamos o estado natural em que nascemos e aprendemos. Nunca mais paramos de aprender, tudo. Cuidados básicos, higiene, o que comer, como lidar com a afetividade, como conviver. E para isso, aprendemos a calar a agressividade, reprimir suas manifestações consideradas falta de educação, elas ficam recalcadas, mas não desaparecem nunca.
Humanos errantes, nunca assimilamos perfeitamente tudo. Escolhas são difíceis porque implicam seguir um caminho e abandonar outras alternativas, já que não podemos ter tudo, muito e mais ainda. Mas queremos... e como! Queremos gozo pleno sem saber que isso seria nossa desgraça, e é.
Lado B. Mais complicado. O ser humano é o único animal que mente. Que seduz. Que fala uma coisa enquanto de fato pensa outra. Dissimulamos nossas verdadeiras intenções. E ainda somos dotados de inconsciente, portanto, não sabemos tudo sobre nós, e, nessa ignorância, se aprofunda um fosso entre nós e nosso desejo. Ficamos entregues a fantasias. Por quê? Elas dão sentido a tudo. Preenchem o real, os vazios, o que não entendemos.
Outro ponto: a agressividade. Qualquer animal do planeta, quando acuado, racional ou irracional, é dotado de agressividade. Parte dela é necessária para nos dar força para agir. É nossa força. Mas pode ser despertada em situações não tão desejáveis.
Em todos os momentos da humanidade ela se desenha inegavelmente. Quando não nas construções incríveis, nas guerras, na escravidão, nas cruzadas, no preconceito, no terrorismo, no feminicídio e se delineia na crueldade de que somos capazes.
Atualmente, pela intolerância. O que Freud chamou narcisismo das pequenas diferenças. Diante de antagonismos. Por exemplo, o time de futebol, a religião, a política, qualquer preferência e diferença de opinião despertam a antipatia e o ódio. No momento, Lula e Bolsonaro são a bola da vez. Mas pode ser qualquer outra coisa, todo argumento serve para dar vazão ao ódio e à agressividade, antes reprimida.
Conversar ficou difícil, vira briga. Gera sarcásticos e impedimento em dialogar com respeito. A franqueza, a verdade que contraria, tornou-se relação de ódio explícita. A agressividade crescente em todos os cenários gera muitas tragédias, não só entre pessoas, mas entre pessoas e a natureza. Principalmente, foi liberada pelas redes sociais. Mau uso.
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Poucos se encontram, muitos ficam fechados, abduzidos e defendidos pelas telas, nas redes, trombando, desacatando. Triste incapacidade de respeitar diferenças. E, por isso, a vida fica pobre, gerando isolamento, inimizades, antipatias e muitos crimes de ódio.
