As mais ricas nações do mundo conquistaram essa condição numa história repleta de violência, subjugação, opressão e escravização de outros povos. Uma luta sangrenta pela conquista de territórios, ampliação de domínios, expropriação histórica e material.
Ao visitarmos museus, ali encontramos tesouros estrangeiros como prova da força e do poder dos mais fortes.
As colonizações deixaram seu rastro de imperialismo e violência sobre muitos pelo enriquecimento de poucos. Mas assim caminhou a humanidade e, pelo que vemos hoje, ainda anda nos mesmos trilhos. As marcas deixadas habitam o coletivo cultural, ainda gerando cicatrizes e feridas abertas que sangram, literalmente, nossa sociedade.
A violência contra a mulher é uma delas. Nos séculos 18 e 19, elas eram dependentes e silenciadas, mas ensaiavam as primeiras batalhas contra o jugo dos dominadores. Muitas campanhas têm sido travadas para controlar o ódio dos homens pelas mulheres, principalmente por terem perdido o poder patriarcal sobre elas.
Comercial veiculado na mídia com os atores Dan Stulbach, Enrique Diaz, Ronnie Marruda e Emílio Dantas dá eco a vozes que, infelizmente, permeiam as relações entre os sexos, dizendo “você não assume o papel de mulher casada”, “você não está me entendendo, eu vou te ensinar”, “experimenta não fazer o que estou mandando”. Já sabemos o que vem depois.
Vozes masculinas se levantam e alertam para a necessidade de compreensão, responsabilização, assumindo essa luta e conclamando outros a essa campanha.
Enfrentar a violência contra a mulher é nosso papel, concluem os atores, mostrando que frases machistas marcantes e o comportamento violento dos homens refletem atitudes reais que precisam ser mudadas, com o objetivo de imputar também aos homens a responsabilidade nesse enfrentamento. Combater a violência não é problema só das mulheres, é também deles.
Inúmeras campanhas vêm sendo feitas no mundo sobre esse comportamento inaceitável e criminoso. Porém, conter esse afeto de ódio quando os homens se sentem desvirilizados continua sendo tarefa inglória, como mostram as estatísticas.
Entre as diversas campanhas, temos o Ministério das Mulheres com Feminicídio Zero; a ONU Brasil com #NãoTemDesculpa; Quem ama não mata, seguida da Lei Maria da Penha; Sinal Vermelho, campanha com X nas palmas das mãos, por Thais Araújo e Paolla de Oliveira; Violência contra a mulher não tem desculpa, peças da Globo com atores; além de 21 dias de ativismo, em novembro.
Todas essas propostas pretendem conter a espantosa escalada da violência contra a mulher, mas enquanto o homem for afetado pelo sentimento de só se sentir homem quando sustentado pelo desejo de uma mulher, seu ódio o conduzirá ao desespero.
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Isso não afeta apenas a mulher. Quanto custa ao homem sustentar esse falo ereto que se pretende infalível? Quanto custa não poder chorar sem ter a masculinidade fragilizada? Quantas mulheres eles terão de possuir para serem varões? Quanto falta para se desvestirem do terror que ronda a perda de sua potência, para alcançarem a superação da virilidade e abandonarem esse imaginário sustentado a sangue?
