Vivemos hoje em meio a reações passionais, tão radicais que a trégua no mundo depois da Segunda Guerra regride à nova onda de barbaridades. A agressividade crescente permeia vários segmentos da vida humana.
Especialmente nas últimas décadas, o ódio, a agressividade e a violência voltaram a ser um expoente perigoso. E não apenas no nível global entre as nações, como também na política, nas relações sociais e íntimas.
No Brasil, nunca tivemos tanta intolerância. Tampouco tantos casos extremos de violência contra a mulher. Embora a aceitação e a inclusão das questões de gênero sejam visíveis, ainda é alto o índice de preconceito e violência contra aqueles que ousam se declarar diferentes da cis-heteronormatividade.
Lutamos muito mais por opiniões, intolerâncias e preconceitos do que contra a pobreza, a fome, a miséria, a falta de instrução e capacitação. Basta olhar para as calçadas no centro da cidade para constatarmos o numeroso contingente de pessoas morando nas ruas, deitadas em papelão, cobertas por trapos.
Preferimos assistir na mídia ao espetaculoso Trump, à cena armada dos bolsonaristas capazes de invadir e destruir obras valiosas no Palácio do Planalto, ao caso Master, à endêmica corrupção na política brasileira, contra a qual devíamos nos levantar nas urnas.
Assim, nós permanecemos nas sombras e impotentes diante da agressividade contra o ser humano. Não há um plano do governo específico contra a corrupção e a covardia.
Tudo isso evidencia a estupidez humana e a força da autodestrutividade que a história da humanidade demonstra. É inegável o medo diante do assombroso fantasma da Terceira Guerra Mundial, essa com potência nuclear de destruição planetária.
A agressividade é componente estrutural da condição humana. O encontro com o outro, dizia Hegel, é sempre violento e perturbador. Em Freud, o ódio é anterior ao amor. A primeira percepção da existência do outro é ameaçadora, um furo na consistência narcísica; esse outro considerado mau, enquanto o eu é bom. Portanto, é estrutural a agressividade como primeira reação frente ao outro como condição humana.
O ódio, mais que sentimento ou violência, é um fato de estrutura. Freud eleva a civilização como uma grande construção em prol do benefício comum, reguladora dos vínculos e das normas necessárias para o bem-viver entre os homens. As leis foram erigidas com a finalidade de amenizar o jugo do mais forte sobre o mais fraco.
Gozo
Entretanto, e paradoxalmente, o indivíduo que constituiu instituições reguladoras e educadoras contra esse mal também é, ele próprio, inimigo da civilização. Suas leis e instituições não inibem plenamente a satisfação no ato de violência e ódio. Propõem, com a educação, o controle da agressividade, entretanto, isso significa perda do gozo fruído na realização agressiva contra o outro. Da força bruta do ódio. O pai, o mestre, o professor, rei, Deus, etc, como lugar de exceção, enfraqueceram.
Isso constatamos no cotidiano. A lei e os acordos firmados já não restringem a vontade perversa sobre o outro. Vemos o mais forte submeter com força o outro. Trump é ícone da prepotência e do gozo perverso sobre o mundo. Ele semeia o ódio.
A violência contra as mulheres aumenta. O desprezo pelo humano fracassa quando o enriquecimento é valor maior. Como educar as emoções humanas? A falta de humildade e a supervalorização egoica que fazem cada um se achar mais do que o outro?
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Como lidar com as modalidades de ódio da pós-modernidade que nos trazem toxicomanias e todo tipo de adicções, crianças com hiperatividade e dispersão? Como lidar com a odiosidade, a agressividade, corrupção e autodestrutividade? Por que tanto ódio?
