Fenômeno de ocorrência cada vez mais importante, mas em boa medida ignorado pelos que estudam e discutem a evolução do quadro macroeconômico brasileiro, é o fato de que a nossa população venha envelhecendo a uma velocidade cada vez maior comparativa e surpreendentemente, por exemplo, com um grupo de peso altamente relevante, como os países da Europa, e também dos Estados Unidos em particular, isoladamente ou em conjunto, desde meados da década de cinquenta, algo que, sem o devido enfrentamento pelas autoridades cabíveis, tenderá a nos colocar cada vez mais no epicentro de uma demorada crise de baixo crescimento do PIB e do emprego, com óbvias consequências desfavoráveis para a nossa população.
Em primeiro lugar, é incrível tal ignorância, em que pese o nosso maior envelhecimento ser fácil e rapidamente constatável pela análise da evolução recente das Razões de Dependência de Idosos (RDI), conceito básico da área demográfica, que se definem pela razão entre o número de pessoas com menos de 15 e mais de 65 anos de idade, em porcentagem da parcela da população entre 15 e 65 anos, que é como se pode apurar e depois comparar o grau de envelhecimento de diferentes países, cada vez maior no nosso caso.
A partir daí, tenho chamado a atenção dos meus leitores para a consequência básica disso: quanto mais rápido for o grau de envelhecimento da população presente em qualquer caso (notadamente em situações como a nossa), é de se prever que ocorra uma maior desabada no investimento público em infraestrutura (e, com ele, no investimento privado nesse mesmo segmento, por serem complementares), e, por consequência, também no PIB Potencial, como tem de fato ocorrido, diante da tradicional escassez de recursos nos orçamentos públicos, e em face da prioridade obviamente mais elevada que, em nosso caso, tende a ser conferida a previdência e assistência social vis-à-vis tais inversões, já que maior envelhecimento é, naturalmente, sinônimo de maiores benefícios previdenciários e assistenciais.
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Nessas condições, não temos escapatória: precisamos concentrar esforços na tarefa conhecida como equacionamento previdenciário, por meio do qual se mudam regras e se fazem outros ajustes com vistas à zeragem do passivo atuarial em causa e, portanto, à abertura de espaço para investir e crescer o país economicamente, isto é, os empregos.
