Estive em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Foi minha primeira visita à cidade onde tenho vários amigos. Ao acordar ia direto para a rua ou me pendurava na janela para dar bom dia aos grupos de araras que passavam aos gritos por cima de nossas cabeças. Às vezes elas dão rasantes que fazem crer que estão mirando algo ou alguém no solo.


Tenho paixão por araras e vê-las soltas, indo e vindo em excursões para as matas, me lembrou minha infância. Cresci em Belo Horizonte, no bairro Sion, solta no meio do córrego Acaba Mundo. Uma das casas vizinhas a de meus pais mantinha uma arara acorrentada em um grande poleiro. Ela era que nos acordava e respondíamos com a mesma moeda: arara arara arara pra cá, arara arara arara pra lá.

Sempre em três gritos bem sonoros de ambos os lados. Meu desejo era vê-la voando para onde imaginasse ser interessante, mas na época não havia nenhuma lei que defendesse sua liberdade. Além de seu grito natural, ela costumava chamar Anaaaaaa, aquela que tinha a responsabilidade de alimentá-la. Ana, que também não tinha o poder de soltá-la, deixava a ave acreditar que aquele território era de seu domínio ao responder prontamente aos comandos.


Em Campo Grande dois passeios turísticos me encantaram. Por nada eu perderia a chance de me perder no “quintal maior do mundo”, no fundo da casa de Manoel de Barros. O Museu Casa-Quintal guarda os ares do tempo em que o poeta ainda vivia junto à família. “Tudo está no seu lugar” apresentou-nos a guia cada cômodo sendo que não se pode cometer a heresia de pisar no escritório onde o poeta passava a maior parte do tempo. “Ele não gostava que ninguém, nem mesmo Stella sua esposa, passasse da porta”, explicou.

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Em outra imersão cultural, fui conhecer o Bioparque Pantanal, no Parque das Nações Indígenas, que se gaba de ser o maior aquário de água doce do mundo. Essa foi a vez de me encantar com as arraias, tipo de peixe que também me é nostálgico. Uma das mais belas histórias que eu ouvia repetidas vezes quando criança tinha uma como protagonista.Além de cada uma dessas obras por si só, me marcou muito a paixão demonstrada pelas pessoas que me guiaram tanto no museu quanto no parque. O orgulho de estarem onde estão e de poderem falar de algo em que acreditam ser locais de dimensões infinitas. E de fato o são.

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