Existem coisas que pagamos caro para aprender e, apenas depois de anos insistindo em comportamentos equivocados, descobrimos serem heresia.
Estava eu dividindo o quarto com duas amigas em uma viagem quando uma delas, muito delicadamente, me fez uma reprimenda. “Patrícia nunca escove os dentes logo após ingerir vinho. Se você quer dormir, é melhor fazer bocejo com água a usar pasta dental”.
Confesso que nunca soube disso e, para piorar minha ignorância, contei que repetidas vezes entro no chuveiro levando uma taça de vinho e a degusto enquanto me delicio com a ducha obrigatoriamente quente e escovo os dentes.
O problema é a acidez do vinho somada à acidez da pasta que resulta em prejuízo para o esmalte dos dentes. Dentes nascidos no início da década de 1960, quando flúor era coisa colocada na boca de quando em vez quando tínhamos como pagar pelo serviço, agora sofrem as consequências de um passado questionável.
Dando continuidade à aula sobre o que nunca fazer com a dentição, a amiga dentista perguntou se eu tinha o hábito de usar antisséptico bucal. “Uso não, detesto o sabor“. Menos mal, disse ela. Pelo menos nesse quesito fiquei melhor. “Você só deve usar quando de fato tiver algum tipo de inflamação na gengiva sob pena de não fazer diferença quando de fato for preciso. Quer usar algo diariamente sugiro um enxaguante bucal”.
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Os coloridos nunca. Nem enxaguante nem antisséptico. Os corantes também são muito prejudiciais. Aí vem a questão: mas então porque a indústria usa corantes? “Preciso te explicar como funcionam a indústria farmacêutica?”, me perguntou. Não precisa. Melhor a gente dormir.
