Certo dia, quando tinha cerca de sete anos, um de meus filhos chegou de uma festa de aniversário indignado com a forma com a qual o aniversariante, um colega de escola, havia tratado um dos garçons em serviço. Não me lembro bem qual foi a atitude do menino, só me recordo do que aproveitamos daquela experiência.


Sempre tentei não deixar passar em branco nenhum exemplo, tanto os bons quanto os ruins, convidando os meninos a ajudar na elaboração de uma conclusão sobre os fatos e suas versões. Muitas vezes, em vez de proibi-los de fazer algo, preferia discutir antes as consequências possíveis caso eu desse sinal verde. Colhemos, desde então, o resultado positivo desse hábito, pois eles faziam um esforço para, ao menos tentar, prever o que lhes convinha defender.


Quando indignados hoje, tomam atitudes firmes de forma a combater maus-tratos e discriminações. Isso nos ajuda, a mim e ao meu marido, a concluir que já podemos morrer; fizemos o que nos cabia como mãe e pai no que se refere a transmitir-lhes os valores que prezamos.


Sempre que acompanho notícias de jovens que se envolvem em crimes, como os casos dos estupros coletivos, penso em meus filhos, naquilo que os distancia desse tipo de ação. Não há como negar que a educação que demos a eles tem um peso relevante.

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Não sou do feitio que culpa os pais pelas más escolhas de seus rebentos, mas não podemos isentá-los da responsabilidade que lhes cabe como os maiores educadores e influenciadores de sua prole.
Mas é mais fácil para muitos terceirizar a culpa. E isso me fica cada vez mais claro quando caio na armadilha de passar na frente de uma escola infantil de classe média alta no horário de saída dos alunos. Os mesmos que afrontam os professores durante as reuniões de pais e mestres, estacionam seus carros em locais proibidos porque ninguém ali pode caminhar um pouco. Afinal, o mundo está, realmente, ficando cada vez mais perigoso!

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