Apesar do engessamento das regras feitas para enquadrar meninos malcriados, o debate da TV Globo, o último da campanha, exibiu a convicção entre os candidatos de que haverá 2º turno entre Cleitinho e Patrus. A possibilidade já vinha sendo desenhada pelos institutos de pesquisa. Um dos mais salientes, o candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD). atirou nos dois, sonhando com a possibilidade de ser visto como a alternativa para enfrentar Cleitinho (Republicanos) na etapa final.


Ao contrário de Patrus (PT), que ignorou as farpas, Cleitinho reagiu a todas elas, demonstrando que é muito “sensível” a tudo que falam dele. O que mais o incomodou, e deverá repercutir no eventual segundo turno, foi a crítica às companhias e alianças que fez com políticos e empresários envolvidos com malfeitos.


Essas foram as primeiras exposição e confrontação que Cleitinho tentou evitar durante toda a campanha, razão pela qual não participou de sabatinas e outros debates. Em um segundo turno, não terá como se esconder. Por isso, reforçou apelos aos eleitores para que o ajudassem a vencer no 1º turno, evitando, de acordo com ele, gastos do fundo partidário e desperdício de recurso público.


Patrus ignorou os ataques e comparações ao ex-governador petista, Fernando Pimentel, afirmando ter vida e trajetória próprias. Como Cleitinho, ele também evitou sabatinas e confrontos, poupando-se de desgastes. Já no segundo turno, terá que enfrentar o passado. Se fizer uma campanha na busca do centro, a exemplo do que fez o ex-prefeito Fuad Noman (PSD), na eleição de BH, em 2024, poderá se viabilizar.


Os outros candidatos pouco fizeram para tirar o eleitor da zona de conforto e mudar o cenário. Não erraram, mas também não foram protagonistas numa audiência que registrou, segundo o Ibope, crescimento de 40%.

 

Quem apoiar no 2º turno

Os ataques de Simões feitos a Cleitinho (Republicanos) deverão inviabilizar a aliança entre eles no segundo turno. Igualmente impensável, seria o apoio ao inimigo petista, Patrus Ananias. Sem controle sobre o eleitorado, Alexandre Kalil (PDT) deverá cruzar os braços e olhar para os próximos desafios. Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL) deverão medir os movimentos e avaliar o que será melhor para suas futuras campanhas a prefeito.

 

Dupla infidelidade

Há quem diga que Simões cometeu infidelidade ante o candidato presidencial aliado, Romeu Zema (Novo), no final do debate da TV Globo. Ao contrário, foi muito fiel a Zema quando tentou adotar a artimanha dele nas considerações finais. Em 2018, Zema rasgou a coerência partidária e pediu apoio para Bolsonaro pai. Fez sucesso de incoerência e virou governador. Oito anos depois, Simões pediu votos para Bolsonaro filho, ignorando Zema, o candidato do coração, e Ronaldo Caiado (candidato de seu partido). Não deverá ter o mesmo sucesso, porque os tempos são outros e, hoje, os bolsonaros têm pelo menos três candidatos a governador em Minas.

 

Fracasso da reeleição

Pelo ranger da carruagem, Simões deverá ser o terceiro governador que fracassará na reeleição. O primeiro foi Eduardo Azeredo (PSDB) e o segundo, Fernando Pimentel (PT). Sua missão final deverá ser conduzir a transição com Cleitinho ou o inimigo petista.

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