O mundo não acabou, mas parou para assistir, ou se informar, à sessão do Supremo Tribunal Federal da terça (15), quando o caso do ministro Alexandre Moraes seria julgado. Em vez de debater as relações perigosas e impróprias dele e de outros ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro do banco Master, optaram pela obstrução. Ao estilo de um plenário do Congresso Nacional, onde políticos de oposição e governistas se engalfinham por seus interesses e posições, os ministros caíram na armadilha da baixaria da polarização política.
Ficou claro, depois, que a estratégia do grupo ligado a Moraes era, ao blindar Moraes, colocar outros no mesmo balaio das suspeições. Vários ali teriam relações com Vorcaro. Se obtiverem êxito nessa tática que se repetirá nas próximas sessões, conseguirão inviabilizar e desqualificar toda a Suprema Corte. A provável omissão e descompromisso com a verdade e julgamento dos fatos irão transferir a decisão e responsabilidade por uma decisão qualquer, e até menos confiável, para o Senado federal. Ali, o grupo bolsonarista está com a faca entre os dentes para aprovar a qualquer custo o impeachment de ministros e submeter o Supremo e todo o Judiciário ao desequilíbrio de poderes.
Aos políticos, tudo tem sido permitido e tolerado em termos de desvios de condutas, abusos e corrupção, mas para magistrados do STF é algo impensável e inaceitável à maioria da população. Nem assim, como não precisam de votos e nem de pesquisas de avaliação, ‘cai a ficha’ dos ministros. Eles parecem debochar da repercussão que chega à sociedade sobre seus atos.
A gravidade é tal que Alexandre de Moraes ficou tóxico e está mais odiado do que Daniel Vorcaro, que corrompeu meio mundo da República. Poucos estão se lembrando, por exemplo, que o presidenciável Flávio Bolsonaro pediu, com áudio divulgado, uma soma milionária a Vorcaro para fazer um filme e outras coisas não reveladas. Mas é a imagem de Moraes e, com ele do STF, que cai no descrédito.
Adiamento para esfriar
O pedido de vista do ministro Flávio Dino poderá aliviar a pressão da crise do STF sobre a disputa eleitoral, especialmente para o presidente Lula. Até o momento, a repercussão negativa afeta mais o petista do que a Flávio Bolsonaro.
Patrus reprova Propag
Em entrevista à TV Globo, o candidato a governador Patrus Ananias (PT) disse que, se eleito, irá reabrir as negociações com o governo federal sobre a dívida de quase R$ 200 bilhões. Deu a entender que rejeita o programa de renegociação (Propag), aprovado pelo senador Rodrigo Pacheco com apoio do próprio presidente Lula. Posição semelhante já foi manifestada pelo concorrente Alexandre Kalil (PDT). Hoje, será a vez de Gabriel Azevedo (MDB) e, amanhã, o postulante Cleitinho Azevedo (Republicanos) deixa o sumiço para participar da sabatina da TV ao vivo.
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Sindipetro/MG na eleição
Em mais uma tentativa de sabatina e debates, dos quais foge a maioria, o Sindicato dos Petroleiros mineiros (Sindipetro/MG) apresenta aos candidatos, nesta quinta, a Plataforma de Políticas Públicas do Setor de Óleo e Gás 2027-2031. A proposta foi elaborada pela Federação Única dos Petroleiros e o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
