As ligações políticas perigosas com os últimos escândalos do país, como o Rei do Lixo, Máfia dos uniformes escolares e, agora, o Banco Master, ameaçam os partidos do Centrão. Na ardência da fogueira, estão o União Brasil e o Partido Progressista/PP, que, hoje, estão federados. Estão envolvidos nessa mistura explosiva que tem origem no mesmo modus operandi.
Depois das grandes empreiteiras (Esquema PC Farias/Collor de Mello), nos anos 90, e das agências de publicidade (Lava-Jato, anos 2000), hoje o caminho da propina são alguns escritórios de advocacia. É o novo caixa dois da onda.
Por ali, o dinheiro passa sem deixar pistas, ou melhor, caminha protegido pelo sigilo das prerrogativas e atuações advocatícias. A cada dia que passa, uma nova investigação e um estouro de um esquema levam ao mesmo lugar. Se as investigações não forem obstruídas, e as delações avançarem, não ficará pedra sobre pedra. Não sem motivo, muitos estão morrendo de medo; outros tentando fugir.
A Polícia Federal aprendeu e está atuando sob o sábio adágio popular de ‘comer pelas beiradas’, para não ser travada por foros privilegiados. Em vez de mandar para a última instância, o caminho são as primeiras.
Quem já abriu e viu o interior dessa caixa de ferramentas chegou à conclusão de que o escândalo do Master tem potencial para mudar e impactar tudo, até mesmo as eleições deste ano. O governador de Goiás e pré-candidato a presidente, Ronaldo Caiado, por exemplo, percebeu os riscos e pulou fora do partido. Ali, sua futura candidatura seria facilmente esvaziada por ficar vulnerável politicamente diante dos malfeitos dos comandantes do União.
Abalo em Congonhas
Como outros fundos de pensão, o Instituto de Previdência de Congonhas (Prevcon) também foi golpeado pelo escândalo do Master: prejuízo de mais de R$14 milhões investidos no banco.
Pacheco vai para o União
Uma decisão aqui não puxa outra lá. O senador Rodrigo Pacheco vai deixar o PSD para filiar-se ao União Brasil/PP por conta de suas boas relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A filiação de Pacheco não responderá, ainda, à outra pergunta, se ele vai disputar ou não o governo de Minas, como incentiva o presidente Lula e deseja a maioria dos aliados dele.
Simões e a ‘morte pela boca’
Já deu certo duas vezes, tanto é que Zema foi eleito, em 2018, e reeleito, em 2022. Na primeira, havia na disputa o então governador Fernando Pimentel, do PT; na segunda, bateu Alexandre Kalil (PSD), ex-prefeito de BH apoiado por Lula e o PT. Para 2026, não há sinal de que o PT terá candidato, até porque não tem, mas deverá apoiar nome que possa representar o palanque da campanha de reeleição de Lula em Minas.
Ainda assim, em entrevista exclusiva às jornalistas Ana Mendonça e Sílvia Pires, deste jornal, Simões antecipou sua estratégia para este ano: atacar o PT. Pela 3ª vez, Zema e Simões querem usar o mesmo discurso para ganhar a eleição.
Se Simões não se livrar da narrativa arrogante do partido Novo, que ele trocou pelo PSD, não irá muito longe. Está se esquecendo do Belchior, que estará presente neste Carnaval de BH (Bloco Volta Belchior!) e que ensinava que “o novo sempre vem”. O fato é que a campanha deste ano em Minas não será contra o PT. Quem estará em julgamento são os oito anos de governo do Novo/Zema/Simões.
Seduzindo a direita
Ainda na entrevista, além do discurso antipetista, Simões tentou seduzir a direita e a extrema direita com outro trejeito. Em recado ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), adiantou que, se eleito, será governador de só um mandato. Ou seja, como deverá assumir o governo no próximo dia 4 de abril, entrará na disputa como governador e candidato à reeleição. Não poderá tentar outro mandato em 2030, quando esses parlamentares, que, hoje, são cotados e virtualmente competitivos para governador, estarão mais maduros.
Contem comigo
Na mesma toada, ou na tecla de sempre, Zema voltou a atacar o PT. Descartou ser candidato a vice-presidente e que apoiará qualquer nome no 2º turno contra o PT. Admite que poderá não ir à disputa final, mas acha que Lula vai.
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