A crescente corrida mundial pelos minerais críticos tem colocado o Brasil em posição estratégica na reorganização das cadeias globais de suprimento. Detentor de algumas das maiores reservas de terras raras, nióbio, grafita e níquel, o país passou a atrair o interesse de governos e investidores em busca de fontes seguras para abastecer setores estratégicos, como a indústria de baterias, semicondutores, equipamentos de energia renovável e tecnologias de defesa. Um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento foi a aquisição da mineradora Serra Verde, em Goiás, pela USA Rare Earth, reforçando o papel do Brasil na estratégia norte-americana de diversificação do fornecimento global de terras raras.

O avanço dessa agenda é evidenciado por uma sequência de iniciativas internacionais. Em 2025, Brasil e Emirados Árabes Unidos anunciaram uma parceria com potencial de investimentos de até R$ 15 bilhões em projetos de minerais estratégicos. Já neste ano, o Brasil firmou memorando de cooperação com a Índia para o desenvolvimento de projetos relacionados a terras raras e minerais críticos, enquanto Estados Unidos e União Europeia intensificaram as tratativas com o governo brasileiro para ampliar a cooperação e os investimentos nesse segmento. Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita também passou a integrar esse movimento de aproximação, ampliando o interesse internacional pelos ativos minerais brasileiros.


Os movimentos observados nos últimos dois anos indicam que o Brasil deixou de ser apenas um grande produtor mineral para se tornar um ativo estratégico na geopolítica global. A sucessão de acordos, memorandos e anúncios de investimentos evidencia que os minerais críticos passaram a ocupar posição central nas estratégias de segurança econômica e industrial das principais economias do mundo, em um cenário de crescente busca por diversificação das cadeias produtivas e redução da dependência de mercados concentrados.


A crescente relevância dos minerais críticos tende a levar o tema para o centro do debate político nacional. Além da política mineral propriamente dita, a estruturação de parcerias estratégicas para o desenvolvimento desses projetos deverá ganhar espaço na agenda dos candidatos à Presidência. Em paralelo, o Congresso Nacional analisa o Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sinalizando que o tema já ultrapassou a esfera econômica para integrar a agenda de Estado. Diante do interesse simultâneo de Estados Unidos, União Europeia, Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e China pelos ativos minerais brasileiros, um dos principais desafios será estruturar parcerias capazes de combinar investimentos, transferência de tecnologia, desenvolvimento industrial e agregação de valor no país, fortalecendo a cadeia nacional de transformação mineral e preservando a autonomia brasileira na condução dessa agenda estratégica.

 

US$ 1,414 bi

Foi o lucro líquido da Vale no 2TRI26; a Receita líquida da
Companhia cresceu 19,2%, para US$ 10,498bi e o EBITDA
ajustado subiu 8,6%, para US$ 3,676 bi

 

ESG e segurança jurídica estarão no centro

dos debates da primeira edição do Rota Ius Mineração

A primeira edição do Rota Ius – Setor Minerário reunirá, no dia 11 de agosto, no Parque do Palácio, em Belo Horizonte, diretores, gerentes, executivos e representantes das principais empresas da mineração para discutir os desafios e as oportunidades do setor sob a ótica da sustentabilidade, da governança e da segurança jurídica. Promovido pela Ius, empresa pioneira em consultoria e gestão legal, com apoio do Campello Castro, o encontro terá programação das 13h30 às 21h, seguida de coquetel de encerramento e networking.


A abertura será conduzida pelo secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Lyssandro Norton Siqueira, que apresentará a palestra “O Futuro do Setor Minerário – fatores minerários, critérios socioambientais, transição energética e planejamento territorial”. Na sequência, a advogada especialista em Direito Ambiental e Minerário Ana Rafaella Trindade, do Campello Castro, moderará o painel “Segurança Jurídica – mitigação de riscos regulatórios no setor minerário”, com a participação de Daniel Medeiros de Souza, diretor de Licenciamento da Vale, Cristiano Parreiras, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Mineração Morro do Ipê, e Marcelino Amando da Silva Gomes, especialista em Mineração e Assuntos Regulatórios da ANM.


A programação será encerrada com o painel “ESG, competitividade e o futuro da mineração”, moderado por Renata Libânio, diretora de Operações da Ius e especialista em ESG, tendo entre os debatedores Thiago Toscano, CEO da Itaminas Mineração. O evento é destinado a convidados do setor mineral, com vagas limitadas, e as confirmações de presença devem ser realizadas até hoje, 5 de agosto, junto à organização do Rota Ius. O encontro acontecerá no Parque do Palácio, localizado na Rua Arquiteto Rafaello Berti, 330, Mangabeiras, em Belo Horizonte.

 

MME oficializa saída de Ana Paula; Secretaria

Nacional de Geologia permanece sem titular

O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou, no fim de julho, a exoneração, a pedido, de Ana Paula Lima Vieira Bittencourt do cargo de Secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral. Procuradora da Fazenda Nacional, ela ocupava a função desde junho de 2025, período em que participou da condução da agenda federal voltada ao fortalecimento da política mineral, dos minerais críticos e estratégicos e da atração de investimentos para o setor.


Até o momento, o governo federal ainda não anunciou o novo titular da Secretaria. No portal institucional do MME, o cargo consta como vago, permanecendo Anderson Barreto Arruda como substituto da Secretaria até que seja publicada uma nova nomeação.

 

“O objetivo é consolidar os minerais brasileiros como produtos de alto valor agregado, associados a elevados padrões ESG, boa governança e respeito às comunidades”

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Ana Sanches
CEO da AngloAmerican e Presidente do Conselho Diretor do IBRAM

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