Com os preços do petróleo ainda oscilando com a troca de ataques entre Estados Unidos e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, mas permanecendo abaixo de US$ 100, os preços dos combustíveis no Brasil registraram queda pelo terceiro mês consecutivo, trazendo alívio para os motoristas e empresas. Uma pesquisa feita pela ValeCard com base em dados de transações realizadas em mais de 25 mil postos no país entre 1º e 26 de agosto. Pelo levantamento, o etanol registrou a maior redução, de 2,06% na comparação com julho, enquanto a gasolina caiu 0,68% e o diesel S-10, 0,51%.

A sequência de quedas consolida um movimento de redução dos preços dos combustíveis iniciado em junho, com destaque para o biocombustível. Além de liderar o recuo mensal, o etanol atingiu seu nível de maior competitividade frente à gasolina nos últimos meses. “Agosto reforça o protagonismo do etanol no movimento de queda dos combustíveis. A redução superior a 2% na média nacional amplia sua competitividade e demonstra como a dinâmica de oferta do biocombustível continua sendo um fator importante para aliviar os custos de abastecimento, especialmente em estados produtores e mercados mais próximos dos principais polos sucroenergéticos”, afirma Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard.

Ao mesmo tempo, a composição dos preços ao consumidor continua sendo influenciada por fatores que vão além das refinarias, como custos de distribuição e revenda, tributos, etanol anidro na gasolina, biodiesel e dinâmica regional de abastecimento. Soma-se a esse cenário a decisão do governo, anunciada no fim de agosto, de prorrogar temporariamente a subvenção à gasolina até 9 de setembro. “A medida atua como um mecanismo para conter repasses e ajudar a manter os preços do combustível em patamares mais baixos, amortecendo parte das pressões que poderiam chegar ao consumidor final”, observa a ValeCard em nota.

Com as quedas nos preços em três meses, o etanol acumula recuo de 7,45%, sendo comercializado, em média, a R$ 4,275 no país. Já a gasolina acumula uma redução de 1,21% entre maio e agosto, sendo vendida, na média, a R$ 6,774 o litro. O Diesel S-10, que move os caminhões e tem impacto no custo de transportes, estava sendo vendido, na média, a R$ 7,159, com redução de 1,97% em relação a maio. O levantamento mostra que. Com a redução nacional em agosto, o etanol ampliou significativamente a sua atratividade. A queda alcançou 25 estados, impulsionada pela disponibilidade do produto e pelo avanço da safra sucroenergética. O recuo mais expressivo no mês ocorreu no Rio Grande do Sul (-5,55%), mas é em São Paulo que se encontra o litro mais barato do país: R$ 3,865.

Para o consumidor, a regra de ouro na hora de abastecer veículos flex é calcular se o preço do etanol representa até 70% do valor da gasolina. Graças aos sucessivos recuos, o biocombustível agora é vantajoso em 17 estados brasileiros (em junho, eram apenas 10). Os cenários mais favoráveis para a troca estão em Roraima (onde o etanol custa 54% do valor da gasolina), Mato Grosso (56%), Amapá (59%) e São Paulo (59%). A gasolina comum acompanhou o movimento de baixa e recuou em 19 estados, com a Bahia liderando a queda mensal (-1,83%). Já o diesel S-10, com queda de 0,51% no mês, trouxe um alívio moderado, mas importante para as frotas corporativas.

A redução nas bombas reflete um cenário macroeconômico de inflação mais moderada – corroborado pela deflação de 0,40% no IPCA-15 de agosto – e pela prorrogação temporária das subvenções governamentais. Mas, apesar do viés de baixa, especialistas pedem cautela. “Petróleo, câmbio e custos logísticos continuam sendo variáveis importantes, especialmente para o diesel”, avalia Marcelo Braga. Fatores como a oscilação do dólar (na casa dos R$ 5,15) e a manutenção de subsídios ditarão se essa tendência de alívio se sustentará até o fim do ano. Por ora, a orientação para o motorista segue sendo a pesquisa de preços e, especialmente para os donos de carros flex, a ponta do lápis para aproveitar o bom momento do etanol.

 

 

Cautela

A manutenção da estiagem nas regiões Sudeste e Centro-Oeste deixa o setor produtivo em estado de atenção. Para a Fiemg, a manutenção da bandeira amarela na conta de energia em setembro deixa a conta de luz, em média, 2% mais cara com a cobrança adicional de R$ 1,88 a cada 100 quilowatt-hora (kWh). Mas por outro lado a entidade avalia que a medida evita o acionamento “de patamares severos da bandeira vermelha”


Construção

O PIB da construção registrou queda de 0,4% no segundo trimestre, contrastando com o avanço de 0,5% na geração de riqueza do país, segundo dados do IBGE. Para a economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos, o desempenho reflete a perda de dinamismo já percebida pelo setor e um ambiente econômico mais adverso do que o esperado no início do ano.

 

 

Feriado 

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R$ 1,9 bilhão

é valor que deve ser movimentado na atividade turística de São Paulo no feriado de 7 de setembro, segundo a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares (Fhoresp)

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