Mesmo com as taxas de juros elevadas, o crédito continua sendo uma alavanca do crescimento do consumo e do avanço do PIB, mas por traz dessa busca de recursos vem o risco do aumento da inadimplência. Nessa semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo alertou para o fato de o endividamento das famílias continuar subindo e isso mesmo com o desemprego caindo a 5,4% em junho e a renda disponível das famílias chegando ao recorde de R$ 822 bilhões em maio. “Não dá para ficar contente porque o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, disse Galípolo. Comprar uma casa gera um ativo. O problema é quando a dívida é usada para algo que não se transforma em ativo, principalmente quando envolve juros elevados', acrescentou o presidente do BC.


Segundo a Pesquisa Especial de Crédito da Febraban, a carteira total de crédito no Brasil deve ter registrado expansão de 0,5% em julho, mantendo estável o crescimento anual em 9,7%, mesmo nível de junho. E esse crescimento, segundo dados da Febraban, foi influenciado pelas operações destinadas às famílias, com elevação estimada de 0,9% no mês e de 11% nos últimos 12 meses. Hoje, o Banco Central divulgou a Nota de Crédito, devendo confirmar os números da Febraban e mostrando que o crédito segue em expansão no Brasil, oferecendo um risco embutido nas altas taxas de juros.


“Na economia real, onde ocorrem as relações de oferta e demanda de bens e serviços, há um limite para absorção de taxa de juro real em patamar muito elevado. O exemplo desse limite está no alto endividamento e inadimplência, crescentes pedidos de recuperação judicial de empresas, incerteza elevada e investimento contraído”, observa o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas.


Ele lembra que, com a Selic em 14% ao ano e a inflação em 4,44% nos 12 meses, a taxa de juros real está oscilando entre 8% e 10% e isso por um período prolongado. “Esse ambiente financeiro causa crescente disfuncionalidade microeconômica (margens comprimidas e custos elevados) e produtividade baixa”, acrescenta o economista. “O 'custo do dinheiro' precisa ser viável tanto para produção, consumo como também para investimento no curto e no longo prazo”, reforça Tingas.


Mas apesar das advertências em relação às despesas de consumo com uso do crédito, o financiamento para formação patrimonial avança. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) revisou para cima suas projeções para 2026, prevendo R$ 411 bilhões em concessões imobiliárias – um avanço de 25% frente a 2025. A revisão baseia-se no desempenho do primeiro semestre, que somou R$ 180,9 bilhões em concessões, com alta de 23% sobre o primeiro semestre do ano passado.


Para o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), a Abecip projeta R$ 185 bilhões no ano, alta de 18%, após um primeiro semestre de R$ 93,7 bilhões (29%), com alta de 12% nas aquisições diretas de imóveis. Recursos provenientes do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal devem alcançar R$ 195 bilhões (38% a mais), enquanto os financiamentos com recursos livres se manterão estáveis no patamar de R$ 31 bilhões ao longo de 2026.


Segundo Michel Cury, presidente da Abecip, a demanda permanece consistente, embora a taxa alta de juros exija cautela. Corroborando o otimismo, os Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborados com Sesi e Brain Inteligência Estratégica, mostram vendas de 226.536 unidades residenciais novas no primeiro semestre de 2026, um aumento de 5,4% ante H1 2025) em 221 cidades. O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, definiu o mercado como estável e saudável, ressaltando que juros elevados reduzem a capacidade de compra, mas demonstram a enorme força da demanda represada do setor.


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R$ 502 bilhões

É o total de ativos totais o Sicredi superado em julho deste ano, com crescimento de 175% em relação a julho de 2021, ou um acréscimo de R$ 319 bilhões no período de cinco anos

 

Expansão

Com um financiamento da ordem de US$ 505 milhões, o Latam Airlines Group vai incorporar 11 aeronaves à sua frota, com entrega prevista para este semestre. Segundo a empresa, serão um Airbus A320neo, quatro Airbus A321neo e seis Embraer E195-E2. Do total da operação, US$ 400 milhões são voltados à sustentabilidade. A estrutura de empréstimo de longo prazo foi liderada pelo BNP Paribas, um dos maiores bancos da Europa e do mundo.

 

Sonegação

Cerca de R$ 2,7 trilhões em faturamento deixam de ser declarados pelas empresas brasileiras anualmente no Brasil, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Entre os tributos, o ICMS aparece como o mais sonegado, seguido pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Estima-se que os tributos sonegados pelas empresas somem R$ 508,5 bilhões por ano.

 

 

 

 

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