O Comitê de Política Monetária (Copom) entregou o esperado, mas não o desejado por todos, ou quase todos. Ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50% ao ano, o Banco Central sinalizou que, embora o ciclo de queda continue, o ritmo ainda está bem ajustado. A avaliação agora se divide entre a leitura técnica de uma “calibragem” necessária vista pelo mercado financeiro e o grito de alerta do setor produtivo, que vê o custo do capital em níveis proibitivos.

Para quem vive o dia a dia do mercado financeiro, o comunicado trouxe poucas surpresas, mas leituras distintas nas entrelinhas. Para Marcos Freitas, analista macroeconômico da AF Invest, o tom do comunicado veio sutilmente mais "suave" (dovish), não pelo que foi dito, mas pelo que ficou de fora: esperava-se uma postura mais agressiva diante do choque do petróleo, o que não ocorreu. Já para Jucelia Lisboa, economista e sócia da Siegen Consultoria, o movimento do BC pode ser visto como uma “calibração técnica”. Para ela, o cenário externo – inflamado pelo conflito no Oriente Médio – exige que o BC preserve o viés restritivo para evitar sobressaltos inflacionários, mesmo com o real demonstrando certa resiliência recente.

O economista-chefe, estrategista de investimentos e co-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, disse que o comunicado do BC traz um sopro de otimismo para o curto prazo. Ele acredita que a sinalização de continuidade do ciclo de cortes, que não era uma certeza absoluta, deve fazer a bolsa reagir positivamente e o dólar buscando valorização. “Espero novo corte de 25 pontos base, com bastante dependência das variáveis externas (petróleo), manutenção da taxa de câmbio em patamares próximos ao atual e sensível às novas leituras do IPCA e principalmente da expectativas de inflação”, diz o economista.

Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o fato de a atividade econômica, mesmo em desaceleração, mostrar sinais recentes de recuperação e de o mercado de trabalho ainda se mostrar resiliente, limita o espaço para cortes de juros, especialmente, num ambiente de inflação pressionada. “Pra frente, acreditamos que o BC seguirá no processo de flexibilização, refletindo um ciclo mais gradual e mais longo, com cortes predominantemente de 25 pontos-base e possíveis pausas no segundo semestre”, afirma a economista.

Se na Faria Lima o tom é de análise, nas federações de indústria e no comércio o clima é de inconformismo. As entidades mineiras e nacionais foram uníssonas ao classificar o corte de 0,25 p.p. como "tímido". O presidente Cledorvino Belini foi direto ao ponto: o problema não é apenas a taxa, mas a “gastança” pública. Para a entidade, sem equilíbrio fiscal, o corte é apenas cosmético. “Os juros estão altos, independentemente de reduzir 0,25 ou 0,5 ou mesmo não reduzir. O problema central permanece: o governo está gastando demais. E aliado a expansão do crédito temos como consequência mais de 70% da população endividada. É um círculo vicioso que não fecha. Precisamos, de fato, encerrar o ciclo da gastança.”, diz Belini.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou preocupação com a decisão do Copom e alertou para o enfraquecimento da atividade econômica. Com a Selic em dois dígitos prevista até 2028, a federação teme uma perda irreversível de competitividade industrial. “A entidade reconhece a importância do controle inflacionário como pilar fundamental para a estabilidade econômica, mas manifesta preocupação com os efeitos negativos de um patamar elevado de juros por um período prolongado”.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. Ele destaca que o endividamento das famílias e empresas bate recordes. Segundo cálculos da CNI baseados na Regra de Taylor, a Selic deveria estar em 11,1% – uma distância de 3,4 pontos do patamar atual. Com a mudança de ritmo do BC, a expectativa do mercado em relação à Selic no fim deste ano passou de 12% para 13%.


Imposto

R$ 14 bilhões

Valor deixa de ser investido em projetos sociais por desconhecimento no Imposto de Renda, com apenas 3% dos contribuintes usando o mecanismo de destinação fiscal. A estimativa é da Receita Federal


Bancos

As sanções a correspondentes por irregularidades na concessão do crédito consignado a consumidores já somam 2.202 desde o início da vigência das regras da Autorregulação do Consignado, em 2020, criada pela Febraban e a Associação Brasileira de Bancos. No acumulado até abril de 2026 foram 1.173 advertências, 899 suspensões temporárias e 130 definitivas. Cento e trinta empresas (CNPJs) estão impedidas de atuar em nome dos bancos autorregulados

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De avião

Com um crescimento de 6,17%, o Brasil registrou a movimentação de 25,2 milhões de passageiros nos voos domésticos entre janeiro e março deste ano. “O crescimento do número de passageiros domésticos mostra a força do turismo e o quanto os brasileiros estão viajando pelo país”, afirma o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. É a primeira vez que o país atinge a marca trimestral. Só em março foram 8 milhões de passageiros, recorde para um único mês.

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