Quem conheceu Camaleoa pelos clipes coloridos de 2026, com cabelo rosa e coreografias, talvez não saiba que a carreira dela começou de um jeito bem diferente. A cantora cearense pegou o violão pela primeira vez aos 17 anos e passou a escrever músicas para falar do que sentia e do que vivia. Em 2015, lançou a primeira canção, “Fotografia”, com um clipe caseiro que passou de 13 mil visualizações no YouTube.
No ano seguinte, se inscreveu no concurso Curto Circuito, no Órbita Bar, em Fortaleza. Até então se apresentava sozinha, com voz e violão. Depois do concurso, montou uma banda. Com esse grupo, foi a única artista do Ceará selecionada para a Bienal da UNE, no Dragão do Mar, e abriu shows de Vivendo do Ócio, Lucas Guido, Ana Muller, Phill Veras e Gaby Amarantos. Em 2017, ficou entre as 50 bandas mais votadas do Brasil numa votação para tocar no Lollapalooza Brasil, em São Paulo.
Em 2018, lançou o clipe de “Um Mais Um”, uma canção romântica com representatividade LGBT que tinha muito da vida dela. A música antecipava um assunto que segue nas letras até hoje.
O primeiro disco, “Camaleoa”, saiu em outubro de 2019. Gravar um CD era um sonho antigo da cantora, que trabalhou de forma independente. São dez faixas de pop com elementos de MPB, soul e rock, e as letras falam de sexualidade, religião, feminismo e amor a partir de histórias da vida dela. As músicas foram pensadas para se ligar umas às outras, em ciclos que começam e terminam. A produção ficou com Gil Germano, do Gambiarra Home Studio, que acompanhava a artista desde o começo, e Gabriel Ardack fez os arranjos de duas faixas.
Junto com o disco veio um curta de cerca de oito minutos que passa pelas dez músicas. Com ele, Camaleoa se tornou a primeira artista de Fortaleza a lançar um álbum visual. O roteiro foi escrito por ela e pela designer Camilla Cassiano, que também dirigiu, filmou, editou e fez a fotografia do filme. “O filme é uma experiência, uma aventura”, disse a cantora na época.
O nome artístico já anunciava as mudanças que viriam. Por volta de 2020, Camaleoa trocou o som mais próximo da MPB e do rock pelo pop com coreografias e referências de balé, com Britney Spears como maior inspiração. Gabriel Ardack, que tinha feito arranjos no primeiro disco, virou parceiro dela em todas as etapas do trabalho.
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Hoje, aos 29 anos, ela lidera o movimento “No Ceará Tem Pop”, tem em “Nordesdiva” a música mais ouvida da carreira e se apresentou em São Paulo em outubro e novembro. Sete anos depois da estreia, prepara o segundo álbum de estúdio.
