O mercado imobiliário brasileiro começa a avançar para uma nova etapa de digitalização. Depois de anos concentrada na venda, documentação e registro eletrônico de imóveis, a transformação começa a alcançar também uma das etapas mais complexas da jornada: o financiamento.
É nesse cenário que Murilo Arjona, profissional com atuação no crédito imobiliário desde 2008, passa a integrar a netspaces como sócio e responsável pela frente de Crédito Imobiliário Inteligente.
Ao longo da carreira, Arjona participou diretamente da concessão de mais de R$ 2,5 bilhões em financiamentos imobiliários e construiu uma atuação voltada também à formação de profissionais do setor. Por meio da Jornada do Financiamento Imobiliário, treinou mais de 180 mil corretores e investidores, além de formar cerca de 7 mil especialistas no Financiamento PRO.
A nova atuação ocorre em um momento em que diferentes instituições começam a discutir de maneira mais concreta a integração entre crédito, sistemas registrais e novas tecnologias.
Em agosto de 2026, Conselho Nacional de Justiça, Corregedoria Nacional de Justiça, Banco Central e Operador Nacional do Registro Eletrônico de Imóveis firmaram um acordo de cooperação técnica que prevê, entre outros pontos, o desenvolvimento de soluções relacionadas a registro distribuído e tokenização de ativos imobiliários e garantias.
No mesmo período, ONR e Registro de Imóveis do Brasil iniciaram outra cooperação, desta vez com Banco do Brasil, Caixa, Sicoob, Sicredi, Ailos e Unicred, para testar soluções capazes de tornar mais ágeis as transações imobiliárias que envolvem financiamento.
Os primeiros testes estão previstos para março de 2027.
Os acordos não significam uma autorização automática para operações de crédito tokenizado. Na prática, mostram que bancos, instituições reguladoras e sistemas de registro começam a testar como essas tecnologias podem ser incorporadas à infraestrutura tradicional do mercado imobiliário.
Para Arjona, esse movimento altera a discussão sobre o futuro do financiamento.
“Passei a carreira ensinando o mercado a financiar imóvel. O próximo capítulo é ajudar a construir o crédito que vem aí: mais rápido, mais barato e sem papel indo de balcão em balcão. Eu não queria assistir a essa mudança de fora”, afirma.
O financiamento como próxima etapa da digitalização
Comprar um imóvel ainda envolve uma sequência de processos que normalmente acontecem em ambientes diferentes.
Análise de crédito, avaliação do imóvel, contratação, assinatura, registro da garantia e liberação dos recursos são etapas que podem envolver bancos, cartórios, compradores, vendedores e diferentes sistemas.
A tentativa de integrar essas etapas em uma única infraestrutura digital está entre os movimentos que começam a ganhar espaço no setor.
Na netspaces, Arjona passa a trabalhar justamente nessa frente. A proposta é aproximar o crédito da infraestrutura digital já utilizada nas transações imobiliárias, permitindo que financiamento, registro e acompanhamento da garantia façam parte de uma mesma jornada.
A companhia possui atualmente uma base utilizada por mais de 450 construtoras e incorporadoras nas cidades onde mantém operações licenciadas. Os imóveis reunidos nesse sistema representam aproximadamente R$ 25 bilhões.
A expectativa apresentada pela empresa é que parte desse estoque seja incorporada gradualmente a estruturas digitais relacionadas à tokenização imobiliária e ao crédito ao longo dos próximos quatro anos.
O movimento inclui também a possibilidade de integrar etapas de venda online do imóvel à contratação do financiamento.
Nesse modelo, o comprador poderia escolher o imóvel, realizar a reserva e avançar nas demais etapas da transação dentro de uma jornada digital, reduzindo a fragmentação entre venda, crédito e registro.
Crédito com imóvel em garantia também entra no radar
Outra frente que pode ser impactada pela digitalização é o crédito com garantia de imóvel.
A modalidade utiliza imóveis quitados como garantia para contratação de crédito e tende a oferecer taxas inferiores às encontradas em linhas sem garantia.
Em julho de 2026, segundo os dados apresentados no projeto com base em estatísticas do Banco Central, os juros do cheque especial estavam em 137,3% ao ano, enquanto o rotativo do cartão alcançava 436,2%.
Apesar da diferença nas taxas, operações garantidas por imóveis ainda exigem uma série de etapas como avaliação do bem, análise bancária, assinatura e registro.
A tentativa de digitalizar e integrar esses processos pode reduzir burocracias e tornar esse tipo de crédito mais acessível operacionalmente.
A atuação de Arjona nessa frente está prevista até 2031, horizonte que também coincide com o período de vigência do acordo de cooperação envolvendo CNJ, Banco Central e ONR.
Mais de meio milhão de profissionais acompanhando a mudança
Além da experiência em operações de financiamento, Arjona possui uma comunidade de mais de 500 mil pessoas ligada principalmente ao mercado imobiliário e de crédito.
A netspaces, por sua vez, reúne cerca de 31 mil profissionais interessados em tokenização imobiliária, entre corretores, incorporadores e investidores.
A aproximação dos dois públicos cria também uma frente de educação sobre temas que ainda são pouco compreendidos pelo mercado.
A partir de outubro, está prevista a produção de conteúdos voltados a explicar crédito imobiliário digital, tokenização e as mudanças que começam a surgir na infraestrutura de financiamento de imóveis.
Para Vinicius Dambros, cofundador e CEO da netspaces, a aproximação entre tecnologia e profissionais que atuam diretamente na venda e no financiamento será determinante para os próximos anos.
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“Nos últimos cinco anos, a netspaces construiu tecnologias e conexões para que imóvel e garantia nasçam digitais. A entrada do Murilo aproxima essa infraestrutura de quem financia e de quem vende”, afirma.
