Clara Petrucci está prestes a viver mais um capítulo de sua trajetória musical ligado a uma de suas maiores paixões. A cantora vai participar de uma apresentação do Reduto do Samba, projeto criado em Salvador que há mais de duas décadas mantém o samba como parte importante do Carnaval baiano. O convite partiu de Newton Dias, um dos idealizadores do bloco, e encontrou em Clara uma artista que carrega o gênero desde a infância.

O Reduto do Samba foi fundado em 2003, em Salvador, com a proposta de fortalecer a presença do samba na folia e preservar a tradição do gênero na capital baiana. Ao longo dos anos, o projeto passou a integrar a história carnavalesca do Tororó e a aproximar diferentes gerações do samba. Em 2026, o bloco manteve sua participação no Carnaval de Salvador, reforçando a relação com as comunidades e com o público.

É dentro dessa história que Clara chega novamente ao projeto. A cantora já havia se apresentado com o Reduto do Samba em 2017 e agora retorna ao grupo em um novo momento de sua trajetória musical. A relação com o gênero, no entanto, sempre esteve presente em sua vida, seja nas rodas de samba que frequenta, seja na convivência com amigos e compositores ligados ao gênero.

“Sou movida a desafio. O samba é um meio muito fechado, mas quando você tem identificação real e consistência dentro dessa vivência, é uma coisa maravilhosa”, conta.

A relação de Clara com o samba, no entanto, começou muito antes dessa participação. Filha de pais que sempre tiveram a música presente dentro de casa, ela recebeu o nome em homenagem à cantora Clara Nunes e cresceu ouvindo samba, MPB e diferentes vertentes da música brasileira. Durante os sete anos em que viveu em Salvador, também aprofundou essa ligação.

Foi na Bahia, inclusive, que Clara teve uma de suas primeiras experiências profissionais com o gênero. Ela integrou a banda La Elas, formada por 11 mulheres e dedicada ao partido-alto. A experiência ajudou a consolidar uma relação que hoje volta a ocupar um espaço de destaque em sua carreira.

Segundo a artista, o repertório da apresentação reúne sambas atuais, pagode e clássicos de nomes como Alcione, Zeca Pagodinho, Clara Nunes e Toninho Geraes. A proposta também abre espaço para músicas internacionais, que ganham novos arranjos pensados especialmente para o samba, criando uma ponte entre diferentes referências musicais sem perder a essência do gênero.

A ideia não é apenas adaptar canções conhecidas, mas criar novos arranjos e preservar a identidade do gênero. “Eu quero fazer arranjos novos, arranjos musicais novos, para músicas diferentes e sem deixar de perder essa coisa rebuscada que a roda de samba, o Partido Alto têm”, explica.

Clara destaca ainda que o trabalho também envolve uma primeira etapa de gravações. Ao lado da equipe, ela planeja registrar cinco músicas, enquanto uma composição própria ainda passa por avaliação junto à direção musical para definir se fará parte desse primeiro conjunto.

A preparação para a apresentação também envolve a construção de uma narrativa que ultrapassa a música. Para Clara, cada elemento do espetáculo precisa contribuir para a história que será contada no palco. “Os mínimos detalhes estão sendo construídos com muito carinho, com muito zelo e cuidado. A música é pensada, o arranjo é pensado, a roupa também”, conta.

No primeiro contato com o público, realizado durante o aniversário do Reduto do Samba, a cantora apostou na imagem de uma sereia como elemento central da apresentação. O figurino, inspirado em uma rede de pesca, ajudou a construir a narrativa de uma personagem que sai do mar e chega à terra para levar uma mensagem de paz.

A apresentação começou com “Lenda das Sereias”, reforçando a proposta de criar uma experiência que pudesse ser percebida não apenas pela música, mas também pela imagem e pela narrativa.

“Eu quero fazer um show, quero fazer muitos shows, que seja bom de ouvir, bom de ver e que tenha essa essência de história”, afirma Clara.

A proposta encontra espaço dentro da própria história do Reduto, que mantém o samba como elemento central de sua presença no Carnaval de Salvador. O bloco surgiu justamente em um momento de fortalecimento do gênero na folia baiana e, desde então, construiu uma trajetória marcada pela valorização do samba e pela aproximação com o público.

Para Clara, essa conexão é também uma oportunidade de reencontrar uma parte importante de sua própria história. Depois de transitar por diferentes estilos e construir uma carreira que também passou pela televisão e pela nutrição, ela volta a colocar o samba no centro de uma nova fase musical.

“Meu principal propósito de missão é que as pessoas saiam de lá felizes, renovadas, mas com clareza de que a troca foi feita para que todo mundo se sinta feliz na hora que está assistindo, na hora que está ouvindo principalmente, na hora que está sentindo”, finaliza.

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A participação de Clara ao lado do Reduto do Samba representa mais do que um novo compromisso na agenda da cantora. É o encontro entre uma artista que carrega o samba desde a infância e um projeto que, há mais de duas décadas, trabalha para manter essa tradição viva em Salvador.

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