O Medulla acaba de lançar No Dia Que Tudo Mudou, álbum que reúne Urias, Lirinha, Flor e Yego em oito faixas sobre coragem, transformação e recomeços. Apenas um dia depois da chegada do trabalho às plataformas digitais, os irmãos Keops e Raony levam a nova fase aos palcos com apresentação em Belo Horizonte nesta sexta-feira, 14 de agosto, no Sesc Cultura MG.

Produzido pelo Medulla em parceria com Los Brasileros, o disco reúne composições criadas em diferentes momentos dos últimos dez anos. Experiências pessoais, mudanças de cidade, relacionamentos, cicatrizes e decisões acumuladas pelos gêmeos durante esse período foram transformadas em um repertório que observa os momentos nos quais seguir pelo mesmo caminho deixa de ser possível.

“Nossa vida é marcada por pontos de virada e por essa busca constante pelo novo momento. As músicas nasceram nos últimos dez anos das nossas vivências e verdades. Esperamos tocar as pessoas que também têm esse coração inquieto”, afirmam Keops e Raony.

Medulla apresenta nova turnê em Belo Horizonte

O show no Sesc Cultura MG apresenta ao público mineiro o universo desenvolvido para No Dia Que Tudo Mudou. A turnê reúne novo repertório, cenografia inédita e participações especiais, levando para o palco os conceitos sonoros e visuais construídos durante a criação do álbum.

A estreia do espetáculo aconteceu no Teatro Cesgranrio, no Rio de Janeiro. Depois de Belo Horizonte, a agenda segue para São Paulo, onde o Medulla se apresenta em 30 de agosto, na Casa Natura Musical.

A proximidade entre o lançamento digital e os primeiros shows faz parte da proposta de apresentar o disco como uma experiência que ultrapassa a simples reprodução das músicas nas plataformas.

Novo álbum utiliza o corpo como instrumento

Desenvolvido durante dois anos entre a rotina dos irmãos como diretores criativos e as sessões nos estúdios da Head Media, No Dia Que Tudo Mudou utiliza o próprio corpo como parte de sua instrumentação.

Beatbox, respirações, efeitos vocais e diferentes sons corporais foram registrados e transformados em bases, texturas e elementos rítmicos. Essa matéria-prima orgânica aparece combinada a beats e arranjos influenciados por jazz, R&B e música brasileira.

Entre as referências citadas pela dupla estão Lenine, Otto, Chico Science & Nação Zumbi, Marisa Monte e Carlinhos Brown. As influências ajudam a formar um repertório que atravessa diferentes gêneros sem se limitar a uma única linguagem.

A mixagem ficou a cargo de Marcelinho Ferraz e Daniel Pampuri, profissionais vencedores do Grammy e com trabalhos relacionados a artistas como Karol G e Beyoncé. O tratamento sonoro explora justamente o contraste entre produção eletrônica, arranjos orgânicos e os ruídos corporais registrados pelos irmãos.

“Esse álbum é a coragem de ir com medo mesmo, pagar para ver o que pode acontecer se a gente resolver mudar o rumo da vida”, resume o Medulla.

Urias e Lirinha estão entre os convidados

As participações de Urias, Lirinha, Flor e Yego ampliam as possibilidades vocais e estéticas do novo trabalho. Os convidados representam diferentes linguagens e momentos da música brasileira, mas aparecem integrados à narrativa construída por Keops e Raony.

A presença de Urias, ligada à produção pop brasileira contemporânea, encontra no mesmo projeto a força poética e experimental de Lirinha. Flor e Yego completam os encontros do repertório.

Essa combinação reforça uma característica presente na trajetória do Medulla: a disposição para atravessar gêneros e aproximar experimentação, música popular, produção contemporânea e diferentes referências brasileiras.

O significado de ‘No Dia Que Tudo Mudou’

Apesar do título, o álbum não foi construído ao redor de um único acontecimento. No Dia Que Tudo Mudou representa diferentes instantes nos quais uma decisão altera a trajetória de alguém, mesmo quando não existem garantias sobre aquilo que será encontrado depois.

Nascidos em Pernambuco e criados entre Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, Keops e Raony desenvolveram parte de sua identidade artística em movimento. Mudanças geográficas, profissionais e pessoais atravessaram a última década e acabaram incorporadas às composições.

O resultado é um álbum que trata a transformação não como uma chegada, mas como um processo marcado por incerteza, medo, impulso e necessidade de avançar.

Gêmeos interpretam uma pessoa dividida em dois corpos

A narrativa ganha continuidade nos vídeos criados pelo Medulla em parceria com Léo Silva. Gravados durante dois dias, os visuais utilizam pequenas situações urbanas para representar escolhas, deslocamentos e conflitos.

Nas imagens, Keops e Raony interpretam uma única pessoa dividida em dois corpos. Um representa o impulso para atravessar o desconhecido, enquanto o outro simboliza a força que tenta preservar aquilo que já existe.

A condição real dos irmãos gêmeos torna-se, dessa maneira, uma metáfora para os conflitos internos que antecedem decisões importantes.

O conceito também estabelece uma relação com a produção musical. Se respirações, vozes e sons corporais são utilizados como instrumentos no álbum, os corpos de Keops e Raony assumem igualmente o centro da narrativa audiovisual.

Medulla levou álbum para corrida, lavanderia e pista

Antes de disponibilizar o repertório nas plataformas, o Medulla realizou um circuito de audições presenciais que levou as novas músicas para ambientes pouco convencionais.

Uma das primeiras experiências aconteceu em parceria com a Bad Running. Após uma corrida pelo Minhocão, em São Paulo, participantes ouviram o álbum no escritório da marca. A proposta conectou esforço físico, movimento e respiração à ideia de que toda transformação exige um primeiro passo.

Na Soap Club, uma lavanderia foi transformada em espaço de audição. Já na Casa Cósmica, os irmãos utilizaram sua experiência com direção de arte para construir um jardim no centro do ambiente e criar uma instalação relacionada ao universo do disco.

Em Curitiba, o projeto chegou à Macro Bar e Pista, onde o primeiro visual foi apresentado junto a uma conversa sobre direção criativa com Léo Silva e profissionais da cena audiovisual.

Quase 20 anos de Medulla ganham novo capítulo

Com quase duas décadas de trajetória, o Medulla acumula milhões de reproduções e visualizações, apresentações em festivais como Lollapalooza e Primavera Sound e turnês realizadas pela Europa. A relação construída com os fãs também originou uma comunidade conhecida como O Movimento.

Em No Dia Que Tudo Mudou, entretanto, Keops e Raony evitam transformar esse histórico em uma fórmula a ser repetida. As experiências acumuladas durante a última década são utilizadas justamente para provocar outra mudança na trajetória da dupla.

A apresentação desta sexta-feira (14), no Sesc Cultura MG, em Belo Horizonte, coloca essa nova fase diante do público. Entre música, cenografia e experimentação audiovisual, o Medulla transforma a pergunta que orienta o álbum em experiência de palco: o que pode existir quando alguém aceita o risco de mudar o rumo da própria história?

Medulla — Turnê “No Dia Que Tudo Mudou”
Data: 14 de agosto de 2026
Local: Sesc Cultura MG — Belo Horizonte
Ingressos: https://linktr.ee/central.medulla


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