O fim de um relacionamento e as tentativas de reconstruir a própria identidade conduzem Tô Bem, Não Sei, Foda-se, EP que o cantor e compositor carioca Alê acaba de lançar. Com três faixas inéditas e participação de Bibi Babydoll, o projeto combina drum & bossa, reggae e funk para retratar diferentes momentos de uma separação.
A sequência sugerida pelo título organiza a narrativa do trabalho. Tô Bem representa a tentativa de esconder o impacto do término; Não Sei expõe as dúvidas que surgem quando a relação deixa de definir parte da identidade; e Foda-se marca a decisão de seguir em frente e interromper um vínculo sem reciprocidade.
“Quando escrevi as canções do EP, apesar de uma delas se chamar Tô Bem, eu não estava nada bem, admito. Mas saber que tudo na vida passa é algo confortante. E ser comprometido com a terapia e com o processo terapêutico, como eu sou, ajuda muito”, afirma Alê.
Três sonoridades, três momentos
A abertura acontece com Tô Bem, faixa construída a partir de elementos de drum & bossa. A composição retrata a distância entre o que uma pessoa sente e aquilo que escolhe demonstrar, acompanhando alguém que tenta projetar estabilidade enquanto ainda enfrenta as consequências da separação.
Em Não Sei, Alê recorre ao reggae para ampliar o tema. A canção desloca o olhar da ausência do outro para as mudanças provocadas dentro de quem permanece. O conflito deixa de estar concentrado apenas no término e passa a envolver a busca por uma identidade que já não depende daquela relação.
O percurso termina com o funk Foda-se, gravado em parceria com Bibi Babydoll. Conhecida pelo sucesso internacional de Automotivo Bibi Fogosa e pela combinação de funk brasileiro com phonk, música eletrônica e EDM, a cantora participa da faixa que representa a virada emocional do projeto.
No encerramento, a melancolia apresentada nas músicas anteriores cede espaço à recuperação da autonomia. A narrativa não apaga a experiência vivida, mas reconhece que insistir em uma relação sem reciprocidade deixou de fazer sentido.
Entre vulnerabilidade e autoironia
Embora tenha origem em uma experiência pessoal, o EP busca ultrapassar o relato autobiográfico ao abordar temas como vulnerabilidade, amadurecimento e amor-próprio. Alê também preserva a leveza e a autoironia presentes em sua obra, evitando tratar a superação como um processo imediato ou linear.
As três faixas foram compostas por Alê, Raphael Klismman e Wallace Vianna, que também assina a produção musical. Martin PTK colaborou na composição de Foda-se.
O projeto terá ainda uma extensão audiovisual. A partir de 30 de julho, três videoclipes serão apresentados no YouTube, acompanhando em imagens os momentos de perda, transformação e reencontro desenvolvidos pelas músicas.
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