A Cultura Brasil celebrará, em maio, uma importante série que revisitará a difícil trajetória das mulheres na cultura popular até seu merecido reconhecimento nas artes. Intitulada Subindo no Salto: A Música da Mulher Brasileira, a referida série contará com quatro episódios onde o ouvinte terá a oportunidade de conhecer diferentes facetas da composição feminina no Brasil do século XIX aos dias atuais.

Com a apresentação da talentosa e altamente competente Bruna Ramos da Fonte, que já assinou grandes trabalhos em biografias como as de nomes icônicos da MPB como Sidney Magal e Roberto Menescal, a série revisitará as conquistas e transformações vivenciadas pela mulher brasileira ao longo das décadas.

A obra autoral dessas mulheres é um caminho fundamental para a compreensão não apenas dos percursos trilhados pelas suas compositoras, mas também das suas contemporâneas.

Durante séculos, as mulheres foram impedidas de participar da vida pública, cultural e artística do mundo. Proibidas de assumir o protagonismo sobre a sua própria vida e obra, ao longo da história, muitas encontraram nos pseudônimos masculinos um caminho para vivenciar – ainda que superficialmente – algum tipo de realização pessoal e profissional. Outras tantas, tiveram a autoria de suas obras roubadas por homens do seu convívio.

Fatalmente, a maior parte das obras produzidas por mulheres ao longo da história se perdeu; com elas, perdeu-se também um elo fundamental para a compreensão do pensamento feminino através dos tempos.

Seria com a primeira onda do feminismo que, em meados do século XIX, as mulheres começariam a se organizar e a reivindicar os seus direitos e o status de igualdade entre ambos os sexos. Era apenas o primeiro capítulo de uma longa jornada que, passo a passo, abriria os caminhos que levariam a mulher contemporânea a se tornar protagonista da sua vida e da sua arte.

Para a música brasileira, a partir do momento em que ela conquistou o direito de contar e cantar as suas próprias histórias, uma nova era começou: pautada pelo florescimento de gerações de compositoras e cantautoras, o cenário musical se transformou radicalmente com a chegada dessa nova voz feminina. Uma voz potente e criativa, que quanto mais diz, mais tem a dizer.

Chiquinha Gonzaga: a primeira personagem a ser revisitada pela série Subindo no Salto: A Música da Mulher Brasileira

Uma das maiores precursoras dessas transformações no nosso país foi a cantora e compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935). Primeira mulher a reger uma orquestra, ela militou em prol do direito à participação feminina na vida pública e abriu alas para que a mulher compositora tivesse o direito de registrar e apresentar suas obras publicamente. É por essa razão que a série Subindo no Salto: A Música da Mulher Brasileira, que estreia na Cultura Brasil em maio, recorre à obra da pianista como ponto de partida para recontar a história da mulher na composição brasileira.

Se no primeiro episódio os holofotes se acendem para as compositoras eruditas, no segundo o destaque vai para as maiores intérpretes da nossa música que também são compositoras bissextas. Já no terceiro episódio, durante uma hora inteira, o ouvinte passeará pela obra das compositoras que contam histórias de outras mulheres através das suas músicas. Fechando a série, o quarto episódio apresenta o trabalho de algumas das maiores promessas do cenário independente contemporâneo.

Sobre Bruna Ramos da Fonte
 
Bruna Ramos da Fonte é especialista em Direito Internacional e Direitos Humanos (PUC-Minas) e Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade (UAM), todo o seu trabalho jornalístico e musical se constrói sobre as bases dos direitos humanos, da diversidade e da inclusão.

Além das biografias já citadas aqui, Bruna também é autora de outros diversos títulos, incluindo o um romance biográfico sobre W. A. Mozart.

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