O Cruzeiro, time feminino, faturou o inédito título da Copa Libertadores, num jogaço de oito gols, 4 a 4, no tempo regulamentar e decidido nas penalidades por 5 a 4 para as Cabulosas. O time dirigido por Jonas Urias fez uma belíssima campanha e deixou a China Azul feliz, desbancando o poderoso Corinthians, “bicho papão” da modalidade no Brasil.


Quero falar, porém, do vergonhoso preconceito com o futebol feminino em território nacional. Aliás, um país que está na contramão da história em todos os aspectos. Assim que postei a conquista das meninas, no meu Instagram, recebi algumas mensagens preconceituosas de quem não quer aceitar a realidade do futebol das meninas. Um disse que era “sonolento”, outro disse que “mulher não deveria jogar futebol” e um mais exaltado, e absurdamente ignorante, disse que “lugar de mulher é num tanque de roupa”.


É esse tipo de gente que habita o planeta terra, pessoa mesquinha, odiosa, mal-amada e mal resolvida.


Aqui nos EUA se valoriza o futebol feminino demais, haja vista que as meninas são tetracampeãs mundiais. Meu filho treinou aqui no PSG e em sua equipe havia três meninas jogando com os garotos. Todas jogavam muito bem.
Aqui não há esse preconceito grosseiro como há por parte dos brasileiros. E olha que as meninas têm mais talento que muitos marmanjos. Temos a melhor jogadora do mundo de todos os tempos, a brasileira Marta, e, nem assim, os preconceituosos aprendem.


Pois eu dou a maior força para as garotas e vibrei muito com a conquista das Cabulosas. Honraram o nome do Cruzeiro e mostraram ao país que o clube leva a sério o trabalho delas. Deverão receber um prêmio espetacular do dono e presidente, Pedro Lourenço, que apoia integralmente essa modalidade.


Ano que vem teremos a Copa do Mundo Feminina no Brasil e as cidades-sede já se preparam para receber as delegações e fazer uma grande festa. Espero ver os estádios lotados, como acontece aqui nos EUA. Aliás, por aqui, esporte e educação caminham juntos, haja vista a maciça presença de torcedores nas arquibancadas das universidades, algumas delas com capacidade para mais de 100 mil espectadores.


No Brasil, querem jogar pra baixo, criticar, ridicularizar. O lugar das mulheres é onde elas quiserem e a maioria faz melhor do quer nós, marmanjos. Eu apoio, vou assistir aos jogos e vibrar com nossas meninas.


Se não houver compras dos ingressos de forma maciça, que a milionária CBF distribua ingressos ao povo. Que as empresas comprem para seus funcionários e funcionárias, e que possamos fazer um grande Mundial. Deve ser o último na rainha Marta, e tomara que ela feche sua carreira com chave de diamante.


As Cabulosas, meu carinho, respeito e admiração. Sabemos o quanto é difícil ganhar um título do Corinthians, tão protegido. As meninas do Cruzeiro deram um show de determinação, resiliência e qualidade.


A galeria dos troféus do gigante das Minas Gerais ficará ainda mais reluzente com a Libertadores inédita. Parabéns, meninas. Que seja o primeiro de vários títulos internacionais de suas carreiras. Viva as Cabulosas e abaixo o preconceito!

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