O Galo joga esta noite contra o Montevideo Torque, uma partida praticamente amistosa, diante do placar construído na Arena MRV, onde venceu por 3 a 0, e, na minha visão, se garantiu na final da Sula, a não ser que chova em Lima, neve no Nordeste ou que o Papa vire muçulmano. Não há como o adversário fazer três ou quatro gols de diferença em cima de um Atlético tão bem postado, tão bem dirigido por Eduardo Barba, tão consistente em todos os setores. O trabalho desse rapaz é espetacular e merece todos os elogios, pois, sem medalhões e com um grupo coeso, conseguiu dar padrão de jogo, recuperando vários jogadores, que andavam mal com a torcida.

Bernard e Reinier hoje são aplaudidos de pé e me arrisco a dizer que Bernard é hoje a principal estrela da companhia. Está jogando livre, em todos os setores do campo, e tem dado sua vida pelas vitórias.

Outra grande aquisição foi o meio-campo Fred, que caiu como uma luva. Machucado, recupera-se para estar pronto nos jogos decisivos contra o Grêmio, nas semifinais da Copa do Brasil (CB) e na final da Sula.

Como é bom ver o Galo brigando na cabeça, com a força da sua torcida, que conseguiu, finalmente, transformar a sua arena num caldeirão. Se antes estava tímida e não havia sintonia com o time, agora a coisa mudou. Desde o clássico contra o Cruzeiro, pela CB, quando eliminou o rival, o torcedor mostrou que aquele empurrão nos jogadores, com cânticos e gritos de “Galo forte vingador”, finalmente aconteceu.

Um barulho ensurdecedor, que inibe até a narração, quando estamos diante da TV. No jogo contra o Cruzeiro, naquele 2 a 1, tive que aumentar o som da tv para ouvir a narração de Luiz Carlos Júnior. Parecia a velha e fanática torcida do Galo, nos bons tempos de Mineirão. Vai ser muito difícil o Atlético ser batido em seu terreiro. Agora sim, a Arena MRV tem a alma e o sangue do atleticano de verdade.

Sei que o futebol prega peças e que nada é impossível. Porém, sou capaz de dizer que é sim “impossível” o time uruguaio se classificar, diante dos 3 a 0 que tomou no jogo de ida. Por isso, sem medo nenhum, cravo o Galo na final, e o aponto como favorito, seja quem for o adversário.

A lamentar, uma final em Barranquilla, a milhares de quilômetros de distância da Arena MRV, com preços absurdos. Claro que o torcedor alvinegro vai, mas o custo, no mínimo, é de R$ 12 mil, coisa para rico. E, além disso, Barranquilla é uma cidade feia, com um estádio ruim. Estive lá com a Seleção Brasileira, num jogo pelas Eliminatórias. Não gostei nada do que vi.

Acho que a Conmebol deveria manter a decisão em dois jogos, para privilegiar os torcedores. Jogo único é bom para a Europa, onde há transporte público de qualidade, você pode ir de um país ao outro de carro, trem e até de ônibus. Na América do Sul, isso é impossível. Eu até era a favor de decisão em jogo único, mas fui convencido pelo meu amigo Régis Souto a rever meus conceitos, e concordo com ele. Dois jogos, um em casa e outro fora, para conhecermos o campeão, tanto na Sula, quanto na Libertadores, como sempre foi.

Enfim, a torcida alvinegra vai soltar foguetes esta noite e quem for ao Uruguai, vai voltar com mais uma grande vitória e a classificação. O Galo tem mais time, mais grupo, mais técnico do que o adversário, e vai se impor também fora de casa. Só espero que a final deste ano seja diferente e que o Atlético consiga, enfim, levantar a taça. Além da vaga na Libertadores de 2027, vai faturar uma boa grana, que vai ajudar a pôr as contas em dia.

É outro Atlético, um Galo “forte e vingador”, como diz o hino. O jogo de hoje servirá apenas para carimbar o passaporte para a final, oficialmente, pois, na verdade, o Galo já está lá, desde a semana passada, quando meteu 3 a 0, sem dó, nem piedade. Vamos, Galo!

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