A iniciativa de o Brasil sediar a Copa do Mundo feminina em 2027, quando todas as competições masculinas vão parar, está irritando os torcedores em geral, pois a esmagadora maioria não gosta do futebol praticado por mulheres. É um preconceito que será difícil de ser quebrado, pois de cada dez pessoas com quem converso sobre o assunto, nove não querem nem saber e dizem que não irão aos estádios.
Acredito que nos jogos do Brasil ainda teremos um bom público. No mais, a CBF terá que distribuir ingressos, para não passar a vergonha de ter as arenas vazias.
Vale lembrar que quando a competição é na Europa, os campeonatos por lá já acabaram e é período de férias dos homens. Já pelas bandas da América do Sul, estaremos no meio da temporada, o que fará com que as competições sejam interrompidas, pois as seleções usarão CTs e outras instalações de clubes brasileiros, além dos estádios.
Confesso que não assisto aos jogos femininos, exceto quando jogam Cruzeiro, Flamengo ou a Seleção Brasileira. Não tenho nenhum preconceito e dou a maior força para as meninas, mas acho o jogo muito lento e com pouca emoção.
Também vejo críticas ferrenhas às narradoras, mas eu as acho ótimas, inclusive, nos jogos dos homens. É preciso dar tempo para que os marmanjos se acostumem e quebrem essa barreira, pois desde que o esporte bretão chegou ao Brasil, somente os homens narravam.
Hoje, as mulheres, além de disputarem espaço nas narrações, também fazem reportagens, apresentam programas, enfim, conquistam um espaço legítimo. E cá pra nós, as mulheres sempre fazem tudo com esmero e qualidade. Lógico que assim como os homens, tem algumas incompetentes, mas o próprio mercado vai se encarregar de afastá-las, assim como já afastou muitos marmanjos.
O Brasil sonha com a taça inédita de campeão do mundo e aposta no fator casa para conseguir isso. Marta, a maior jogadora de todos os tempos, poderá fazer sua despedida em casa. Mesmo com idade avançada, acredito que nossa Rainha poderá fazer a diferença. Dedicada, profissional ao extremo, merece fechar sua carreira com chave de diamante.
Esse título seria muito importante não só para a atual geração do nosso futebol feminino e dar mais força aos clubes, como para os torcedores passarem a valorizar mais a modalidade. Aqui nos EUA, meu filho treinava no PSG, onde meninas treinavam junto com os garotos. Preconceito zero.
Aliás, os EUA são os recordistas em títulos mundiais, com quatro conquistas (1991, 1999, 2015 e 2019); seguidos da Alemanha, com dois (2003 e 2007); e Noruega, Japão e Espanha, com um título cada. As espanholas são as atuais campeãs, pois faturaram o caneco em 2023. Nos Jogos Olímpicos os EUA também lideram com cinco títulos.
O Brasil bateu na trave em três Olimpíadas, nas quais ficou com a medalha de prata: 2004, 2008 e 2024. Também foi vice na Copa do Mundo de 2007. Estamos perto da nossa primeira conquista, e, quem sabe, será na nossa casa?
Quem não se lembra da goleira Taffarel, de Pretinha, Formiga e outras grandes jogadoras que tivemos? Marta é a cereja do bolo, craque mundial.
Espero que o preconceito acabe, que as meninas se superem e possam estar na final da Copa, dia 25 de julho, no Maracanã. Vale lembrar que a CBF não está medindo esforços para dar todo o conforto e estrutura para as meninas do Brasil.
Que esse Mundial seja um divisor de águas e que os marmanjos aprendam a apoiar as meninas. As mulheres ocupam os postos mais altos do mundo em todos os setores, por que não no futebol? Abaixo o preconceito e apoio incondicional às nossas estrelas, rumo ao primeiro título mundial.
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