Depois de tirar uns dias de folga deste espaço, estou de volta e, infelizmente, para tratar de um tema triste: “vivemos um mundo doente”. O “imortal”, Renato Russo e o Legião Urbana escreveram essa música na década de 1980, mas ela retrata exatamente o que vivemos hoje. Se naquela época já estávamos doentes, hoje pioramos e estamos no estado terminal. A cena que vimos no Itaquerão, domingo, foi para colocar a pá de cal no futebol brasileiro, fechar as portas e tentar começar tudo de novo. Neymar, numa atitude louvável e merecedora de aplausos, prestou a atenção num cartaz de um garoto corintiano que dizia “Amo o Corinthians, mas quero sua camisa, Neymar”. Ao fim da partida, o jogador foi até ele e sua família e entregou a camisa. Para decepção “zero”, logo vieram os bandidos, travestidos de torcedores, para ameaçar a criança e sua família, que tiveram de deixar o estádio escoltados pela polícia.
Estamos ou não doentes? O ser humano não deu certo. O que deveria ser amor, paixão, sempre com a razão acima de tudo, virou ódio, matança, censura. Qual o problema de um garoto ser fã do Neymar e querer a sua camisa, mesmo declarando amor a outro clube? Aliás, Neymar é amado por jovens do mundo inteiro. Sou um crítico de suas atitudes, dentro de campo, mas reconheço nele um cara doce, amável e atencioso com as crianças. Meu filho mais novo, de 16 anos, adora o Neymar. Só mesmo um bando de marginais, de imbecis, para tomar atitude tão covarde e mesquinha. O garoto deve estar assustado e, com certeza, não pedirá ao seu pai para ir ao estádio, jamais. É um trauma muito grande ter que sair escoltado, para não ser agredido.
Cabe às autoridades identificar os bandidos ameaçadores e colocá-los na cadeia. Muitos dirão que isso é utopia da minha parte, pois num país em que se mata bêbado ao volante de um carro, que tem 4 feminicídios por dia, e os caras prestam depoimento e saem pela porta da frente da delegacia, querer que prendam ameaçadores é realmente alucinação. Mas é que somos de uma outra época, em que policiais, professores e médicos eram respeitados, ganhavam bem e em que os torcedores iam para os estádios e voltavam na paz de Deus. Hoje, você vai e não sabe se volta, pois os bandidos estão em todos os cantos, com “proteção dos estados” e direitos humanos. Eles têm mais privilégios que os pagadores de impostos, que vivem dentro da lei. As “saidinhas”, tão defendidas pelo governo federal, mostram que esse é um grave erro. Soltaram um estuprador semana passada, depois que ele ficou 20 anos na cadeia. Seu primeiro ato foi estuprar outra moça. Alguém tinha dúvidas de que isso iria acontecer? Pois é, vivemos nesse país doente chamado Brasil.
Tenho recebido muitas mensagens de seguidores e telespectadores do nosso programa, JaeciCarvalhoEsportes dizendo que estão desistindo do futebol. Eles têm razão. Jogadores ganhando fortunas, entregando pouco, sendo poupados em jogos e discutindo com imprensa e torcedores. Dirigentes, irresponsáveis, misturando o cartão corporativo com o pessoal, com altas despesas. Clubes falidos e quebrados, contratando e pagando salários de Europa, e, por fim, esse bando de marginais querendo agredir uma família e uma criança. No dia em que Neymar faz um gesto nobre, com imagens que rodaram o mundo, os marginais apareceram mais e estragaram o sonho de uma criança. Pobre Brasil, tão doente, em todos os segmentos. A humanidade não deu certo. Precisamos voltar aos primórdios e recomeçar. Nem mesmo o futebol, “ópio do povo”, escapa dos desmandos pelos quais passa o país da mentira, violência e corrupção. O último que sair, apague a luz!
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