Vivemos um futebol onde não se acredita e não se dá espaços aos jovens. O torcedor, impaciente e passional que é, os queima, caso joguem mal, dizendo que não se tornarão grandes jogadores. Porém, todo o processo de maturação é doloroso e a paciência é o segredo. Todos nós começamos a carreira algum dia, ainda jovens, ansiosos por conquistar um lugar ao sol. Lembro-me quando em 1986, na TV Globo, eu entrevistava meus ídolos, como Zico, Júnior, Éder, Cerezo, Sócrates, Telê Santana, e tremia com o microfone na mão. Eu estava diante de lendas do futebol e perto de jornalistas já consagrados. Mas nunca tive medo de arriscar, de perguntar, de ser enxerido. É assim que a gente vai conquistando nosso espaço, acreditando sempre, mesmo que em nossos caminhos surjam aqueles profissionais que tentam nos esconder, nos anular. Passei por isso no Globo Esporte do Rio de Janeiro, quando um repórter, famoso, já falecido, e por isso não vou citar o nome dele, tentou me boicotar. Meses depois, ele foi demitido e eu continuei minha trajetória.
Fiz essa abertura para falar do goleiro Otávio, do Cruzeiro, o novo “Paredão Azul”, que fez defesas gigantescas na Bombonera, na terça-feira. Mesmo tendo falhado no gol do Boca – se os experientes falham, por que ele não poderia falhar –, fez seis defesas “milagrosas” que encaminharam a classificação do time estrelado para as oitavas, pois bastará uma vitória sobre o Barcelona para se garantir nas oitavas. O que o Otávio fez foi coisa dos grandes goleiros. Segurança, frieza, tranquilidade e personalidade. Com 7 minutos de jogo, já havia feito duas defesas impressionantes. Havia jogadores experientes que estavam nervosos, mas o goleiro azul estava tranquilo, sabedor de que aquela seria sua grande noite. Vale ressaltar que ele é treinado pelo Robertinho, o melhor treinador de goleiros que conheço, e isso tem um peso. Robertinho treinou o melhor goleiro do país, Fábio, o mais injustiçado na Seleção Brasileira. Aliás, Fábio deu uma declaração consciente e importante, onde disse que “eu faço meu trabalho para o Cruzeiro, para o Fluminense, não jogo para a CBF”. Ele está certíssimo. A “panela” da CBF não muda e enquanto o Taffarel – de quem eu gosto e sou amigo, mas a verdade tem que ser dita – estiver lá, os goleiros serão esses que entregaram o Brasil em Copas. Alisson, braço curto, é um deles. Dane-se a Seleção e viva Fábio.
Cabe aos torcedores daqui para frente incentivarem Otávio, dar a ele a confiança que precisa, pois no grupo de jogadores e entre a comissão técnica ele já conquistou o respeito. O Cruzeiro tem a tradição de grandes goleiros. Raul, Dida, Fábio, Vítor e tantos outros que fizeram parte das conquistas e da história do time celeste. Vale dizer que Otávio ainda vai falhar, pois tem apenas 20 anos, e muita estrada pela frente. Mas ser “batizado em La Bombonera, com seis defesas gigantescas, sendo eleito o melhor do jogo, não é para qualquer um. Parecia um veterano, tamanha a sua tranquilidade e competência. Acredito que o Cruzeiro deva repensar a contratação de John ou de outro arqueiro. Otávio já mostrou que pode continuar no gol, e aprimorar nessa parada de quase 2 meses para a Copa do Mundo. Cássio está acelerando sua recuperação, mas se Otávio mantiver a postura atual será difícil para o veterano recuperar a posição. Que bom Otávio, pois você é cria da Toca, ama o clube e nada melhor do que defender as cores do clube onde você cresceu e foi revelado. Por mais defesas como as de terça-feira e por mais apoio da torcida e de todos nós. Valeu, “Paredão Azul”.
Incoerência é a palavra
Fábio e Everson são os melhores goleiros do país, mas parece que há uma implicância de Taffarel com eles, pois só olha para os goleiros do exterior. Fábio é o goleiro e o jogador mais longevo no futebol, e, quanto mais velho, melhor. Um goleiraço, pegador de penalidades e homem de defesas “impossíveis”. Everson segue no mesmo caminho, pois também é excelente pegador de pênaltis e ainda bate com precisão. Mas Taffarel optou pelo fracassado Alisson, que tomou dois gols defensáveis, em 2018 e 2022, nos Mundiais, e fez o Brasil voltar mais cedo para casa, em Ederson, ex-goleiro em atividade, e Weverton, esse sim um bom arqueiro. Lamentável que ainda haja essa “panela” na CBF, que além de prejudicar quem trabalha com seriedade, ainda afunda à própria seleção. Não tenho a menor esperança de hexa, ainda mais com os goleiros convocados. Além disso, deveriam levar um jovem goleiro, para dar experiência para a Copa de 2030.
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