Conforme afirmei, adorei a convocação do Neymar para a Copa do Mundo, por entender que ele é nosso único craque, que pode definir um jogo num toque de “mágica”, mas não faço parte dessa coletividade histérica, que contou até com torcida no anúncio da lista, no Museu do Amanhã, patrocinadores eufóricos e pseudojornalistas que não concordavam com a convocação do atleta, o que é um direito de cada um, desde que haja argumentos para tal. Sou um crítico do Neymar, jogador, pois na vida pessoal dele e de ninguém eu jamais entrei, mas não sou burro a ponto de não entender que entre os 26 jogadores, a maioria sem expressão, ele não pudesse estar. Eu o convocaria, mesmo ele fora de forma física e técnica, e daria a chance de ele fechar sua carreira com chave de diamante, assim como fez Messi, em 2022, ao erguer a taça da Copa Fifa. Mas não há como negar que Neymar ficou abaixo de Messi e CR7 em conquistas, em títulos, em nunca ter sido eleito o melhor do mundo, e olha que até Vini Júnior e Dembelé ganharam da Fifa o prêmio máximo.
Também não me importa se Neymar é de direita ou esquerda, se apoia A ou B. Esse é um direito sagrado dele, assim como é o meu, que sou de direita e detesto a esquerda comunista. Mas respeito quem pensa diferente. Essa histeria coletiva me deixou estarrecido, pois jamais vi isso em qualquer convocação. Nem mesmo quando Felipão deixou Romário de fora, em 2002, houve essa comoção. Os brasileiros, em sua maioria, queriam o Baixinho, mas Felipão não quis, pois achou que ele quebrou sua confiança. Como ganhou a Copa, ficou tudo bem, mas, se tivesse perdido, não poderia nem desembarcar no Brasil. Neymar não foi um atleta de verdade. As contusões e cirurgias o atrapalharam bastante, mas ele também não fez por onde. Abriu mão do futebol para virar pop star, aparecer nas colunas sociais, em desfiles de moda e em outros eventos. Temos que dizer a verdade: esses jogadores mais famosos têm status de movie star, e, talvez por isso, se sintam acima do bem e do mal.
É sabido que os “parças” nunca dizem “não” ao mimado Neymar. Seus pais também não, e assim ele faz o que bem entender. Se abriu mão de ser o melhor do mundo, se não quis ficar no Barcelona, se deu um passo errado ao se transferir para o PSG é um problema dele, mas as consequências estão aí. Porém, o cara é um fenômeno para ganhar dinheiro. Após o anúncio do seu nome na lista de Ancelotti, faturou R$ 30 milhões em apenas 1 hora, em propagandas. Nesse quesito ele é campeão do mundo, resta saber se será também no campo de jogo, onde os “neymarzetes” o querem. Será que ele quer mesmo levantar a Copa Fifa ou sua ida para o escrete canarinho é mais por vaidade? Outra verdade que precisa ser dita: ele esteve em 3 Copas do Mundo e não fez a menor diferença. Em 2014 a gente releva pela séria contusão que ele sofreu, ao ser atingido de forma covarde pelo lateral Zuninga, da Colômbia. Em 2018, foi vexame mundial com o “cai, cai”. Em 2022, só foi notado pelo gol contra a Croácia. No mais, é um jogador bem comum na Seleção. Ah, Jaeci, ele é o maior artilheiro da história do time brasileiro, dirão os mais eufóricos. Sim, ele é, como falei na coluna anterior, fazendo dezenas de gols nas seleções de terceira linha do futebol mundial.
Com todos esses senões, que bom que Neymar foi convocado e parte do país vai ficar em paz. Porém, se não corresponder, terá de suportar o peso de uma eliminação e voltará ao Brasil como fracassado. É o preço que se paga quando as opções da vida nos levam para outro caminho. Como brasileiro e torcedor da Seleção, não me importam os nomes, pois, se vestiu a amarelinha, sou mais Brasil. Porém, sem histeria ou babação de ovo. Neymar é craque, mas nesse momento, um jogador bem comum, que tomara, desabroche no Mundial.
