Na convocação de segunda-feira, o técnico italiano Carlo Ancelotti deixou claro que Neymar só não irá à Copa do Mundo se não quiser. O italiano foi taxativo: “se ele estiver bem fisicamente, 100%, vou convocá-lo, pois, tecnicamente, todos conhecemos seu potencial”. Pronto, Neymar, cabe somente a você melhorar sua condição física nesses dois meses que faltam para o anúncio da lista dos 26 jogadores que estarão no Mundial para que você seja um deles. Todos conhecem minha opinião sobre Neymar: craque, excepcional jogador, mas com sérios problemas extra-campos. Não foi um atleta exemplar, mas seu talento é comprovado e pode ser útil num jogo decisivo. Atualmente, ele não merece estar no grupo, pois fisicamente deixa a desejar e, tecnicamente, está aquém daquele Neymar que conhecemos. Mas num grupo de 26 atletas, acredito que haverá uma brecha para ele, desde que queira.
É uma pena que um jogador de tanto talento não tenha sido eleito o melhor do mundo em alguma temporada. A impressão que tenho é a de que ele não quis e não se importou com isso. Aos 34 anos, vê esse Mundial como sua última chance de vestir a amarelinha, e tem feito apelos públicos a Ancelotti. Porém, o treinador é europeu, não é paternalista, e se Neymar quiser mesmo ir ao Mundial terá que mostrar serviço em campo. Ele ficou decepcionado por não ter sido chamado para os amistosos contra França e Croácia, este mês, nos Estados Unidos. Mas como Ancelotti poderia chamar alguém que não está 100% fisicamente e que está com o futebol abaixo do esperado? Incoerência é uma palavra que não existe no dicionário do treinador. Ele faz as convocações de acordo com suas convicções, sempre chamando jogadores que estão em alto nível. Eu até contesto algumas delas, como Fabinho, Alex Sandro, Danilo, Marquinhos e Alisson, mas respeito o trabalho daquele que é considerado o melhor treinador do planeta bola.
Os números de Ancelotti também não são bons. São praticamente iguais aos de Dorival Júnior, demitido após a goleada sofrida para a Argentina. Esses amistosos contra França e Croácia serão testes dificílimos, e eu não ficaria surpreso se o Brasil não conseguisse uma vitória. Também não acredito que a França vá mostrar seu melhor futebol. Os europeus são mestres em esconder o jogo e mostrá-lo, realmente, quando valer. Sei que os técnicos italianos prezam por um sistema defensivo forte, e talvez esteja aí a explicação para tantos veteranos no setor, como Fabinho, Casemiro, Alex Sandro, Danilo e Marquinhos. Aliás, Danilo é reserva no Flamengo e joga muito pouco. Como lateral, foi um dos piores que já vi no escrete canarinho. Como zagueiro, também é fraco. Essa convocação eu não entendi. Temos o melhor técnico do mundo, atacantes de alto nível, mas falta aquele talento, aquele cara diferente, que muito bem poderia ser o Neymar. Resta saber se ele estará comprometido mesmo com a Copa, pois só depende dele a própria convocação.
Com a prerrogativa de quem acompanha a Seleção Brasileira pelo mundo há 45 anos, acho muito difícil termos sucesso nesse Mundial, mas não descarto um grupo forte para 2030, e, por isso mesmo, é importante o trabalho ter continuidade. Sei que isso vai depender muito da nossa colocação na Copa. Se formos eliminados de forma precoce, a pressão para a queda de Ancelotti será gigantesca. Se cairmos numa semifinal, não veria problema. Gosto muito e torço sempre pela Seleção Brasileira, mas, confesso que hoje a distância do povo é proporcional ao futebol apresentado nos últimos tempos: pobre, pífio e sem perspectiva.
