É muito legal perceber que Thierry Henry, que disse detestar o Real Madrid, e Rios Ferdinand, que defendeu o United, estão ao lado de Vini Júnior e contra o racismo. Eles saíram em defesa do nosso jogador de forma veemente, sem medo de dizer a verdade. Luisão, zagueiro que honrou o nome do Cruzeiro e ídolo do Benfica, também foi a favor do nosso Vini, e sofreu até preconceito dos próprios benfiquistas. Vale lembrar que Luisão foi diretor esportivo no clube português. Vivemos um mundo completamente doente. O racismo é crime hediondo, nojento e canalha e deveria ser tratado como tal em todo o mundo. Na Espanha, Argentina e outros países eles não encaram chamar alguém de “mono” (macaco, em espanhol), como crime, mas para nós é crime sim, e muito grave.

Lamento que, mais uma vez, Neymar e outros parceiros de Seleção não tenham saído em defesa de Vini. Temos tantos jogadores negros na equipe canarinho que deveriam se manifestar, além dos brancos, amarelos, indígenas e todos os povos. Precisamos acabar com esse ódio no mundo e o pior é ver gente atribuindo ao próprio Vini Júnior o racismo que ele sofre por “provocar” os adversários e torcedores. É um absurdo! Neymar é negro e deveria levantar a bandeira com mais veemência. Ele é uma voz poderosa no mundo, como é Ronaldo Fenômeno, que sempre está engajado na causa antirracista, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros nomes que fazem o possível para acabar com o racismo. O símbolo de Ronaldo Fenômeno no instagram é No to Racism (Não ao racismo). Ronaldo tem quase 30 milhões de seguidores.

Vini Júnior joga muita bola, é o nosso principal jogador, ganhou a Champions League duas vezes, marcando gols nas duas finais. É um garoto do bem demais, que cuida da família e dos amigos de infância. Conheci sua família em Londres, na final da Champions, em 2024. Eu e minha família ficamos no mesmo espaço que a família dele, e pude ver o quão são educados, gentis e pessoas do bem. Seu agente, Frederico Pena, belo-horizontino, é um cara espetacular, que gere a carreira de Vini e Endrick com maestria, responsabilidade, carinho e competência. Tudo isso faz com que Vini seja esse garoto humilde, que luta por uma causa mais do que justa. Ele pode ser uma gota no oceano na luta contra os malditos racistas, mas essa gota vai virar um mar e os racistas serão dizimados da face da terra.

Meu amigo/irmão Galvão Bueno tem uma frase importante, na qual diz que “Brasil e Estados Unidos têm uma dívida gigantesca com os negros, pois foram os países mais cruéis no período da escravatura”. Ele tem razão. Discriminar uma pessoa pela cor da pele é desumano. Meu outro colega, Paulo César Vasconcelos me disse: “Jaeci, é muito bom ver pessoas como você, criticando os racistas, mas só nós, que somos negros, sabemos o sentimento quando somos discriminados”. Ele também tem razão. Mas é preciso que todos nos engajemos nessa luta, que é de todos. A Uefa, a Fifa, os clubes, os dirigentes, técnicos e jogadores deveriam lutar bravamente, punindo jogadores como o argentino Prestianni, torcedores racistas, como os do Atlético de Madrid, que penduraram um boneco de Vini Junior numa ponte, simulando um enforcamento. Um dia isso terá um basta, mas, enquanto não acontece, baile, drible, faça gols como o antológico que você fez na terça-feira. O mundo do futebol do bem, que é contra os racistas, agradece. Brilha e faça o mesmo na Copa do Mundo. Você é nosso único protagonista.

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