Se há uma coisa que eu admiro nos dirigentes do Velho Mundo é que eles são profissionais ao extremo e tratam jogadores e técnicos como empregados que são. Se o resultado é positivo, são mantidos, caso contrário, a demissão é líquida e certa. Tenho observado o comportamento de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo. Ele tem um estilo bem europeu de comandar. Em entrevista ao jornal AS, da Espanha, esta semana, deixou bem claro que pretende estar no Flamengo pelos próximos 10 anos, e que o mesmo não pode dizer do técnico Filipe Luís, que deve pensar no Flamengo em dois ou três anos no máximo. Bap sabe que o Flamengo é eterno e que todos passam. Não adula jogador, não se curva a treinadores e nem se torna amigo deles. Mantém a distância que o presidente deve manter dos empregados do clube, tratando-os com respeito, mas sabedor de que cada um tem que entregar aquilo que está no contrato e o clube arcar com a obrigação de pagar salários em dia.


O que vemos no Brasil, diferentemente de Bap, são dirigentes “amiguinhos” de técnico e jogadores. Passam a mão na cabeça quando eles erram, seguram treinadores incompetentes pela amizade e o clube vai afundando. Os dirigentes brasileiros precisam entender que a relação entre eles e os jogadores deve ser estritamente profissional. Não se deve misturar “paternalismo”, que só existe por essas bandas, com profissionalismo. O técnico e o jogador só são diferentes dos demais na questão dos salários irreais que se paga no Brasil, no mais, são empregados, com direitos e deveres. A maioria gosta que o presidente passe a mão em suas cabeças mesmo quando erram. Por isso, alguns não dão certo na Europa e voltam para o Brasil, com o rabo entre as pernas, lamentavelmente, recebendo até mais do que ganhavam no Velho Mundo. Os exemplos estão aí. Paquetá, que só jogou em time pequeno – se fosse bom estaria no Real Madrid ou Barcelona –, Gerson, que fracassou na Fiorentina, Olympique de Marselha e Zenit, Cebolinha, fiasco no Benfica, Gabigol, péssimo na Inter de Milão e Benfica, e por aí vai. Esses caras são recebidos como medalhões. Abro uma exceção para Gabigol, que foi artilheiro de grandes decisões no Flamengo, e teve cinco anos maravilhosos lá.


Já passou a hora de presidentes de clubes, SAFs ou não, entenderem que um clube pertence aos torcedores, pois são eles a razão da existência da associação. Tem muita gente que se deslumbra com o cargo e acaba cometendo erros crassos, que custam a temporada toda do time. Em todas as áreas, os profissionais têm que dar retorno às empresas. Se isso não acontecer, são demitidos, sem o menor paternalismo. No futebol tudo é diferente. Jogadores são tratados como celebridades, intocáveis, como se vivessem numa bolha. Repito: essa bolha só existe na questão salarial irreal para um país quebrado economicamente, no mais, deveriam ser tratados como qualquer outro profissional. Na Europa, se um clube não vai bem e o trabalho do treinador não convence, é demissão e ponto. No Brasil, sempre se dá um jeitinho. O Tottenham acabou de demitir o fraco Thomas Frank, que em 22 jogos deixou o time à beira da zona de rebaixamento. Com um orçamento espetacular, o time inglês não vai se permitir passar esse vexame, e, antes que seja tarde, deu um pé na bunda do treinador. Que o exemplo seja seguido pelos dirigentes brasileiros, pois ninguém, nem eles próprios, estão acima do clube.

 

Sampaoli

 

Parabéns aos donos do Atlético, Rubens e Rafael Menin, por terem dado um pé na bunda do incompetente Jorge Sampaoli, intragável, fraco e pernóstico, que sequer se interessa em aprender o português. Escrevi uma coluna, recentemente, dizendo que Minas tinha os dois piores treinadores do país. Só falta, agora, os donos do Cruzeiro agirem do mesmo jeito e mandarem o fraquíssimo e enganador Tite para o olho da rua.

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