Jogos Olímpicos de Atlanta’1996. Oscar e a Seleção Brasileira de Basquete masculino ainda são assunto. O adversário, o último do Grupo, a Coreia do Sul. Havia uma grande expectativa por parte da imprensa brasileira, pois Oscar Schmidt poderia alcançar os mil pontos na história da competição. Nenhum outro jogador, até hoje, realizou esse feito. Mas Oscar o faria.

O jogo, no ginásio do Colégio Georgia Dome, em um local bem afastado da área central de Atlanta. Lá chegando, uma surpresa. O ginásio estava lotado para assistir ao jogo. O motivo era o Oscar.

A prova disso foi na entrada do Brasil em quadra. A torcida comemorou como se fosse uma cesta e, parte dela, que estava atrás de uma das tabelas, gritava seu nome, sem parar.

Aquilo me chamou a atenção. Alguns torcedores pareciam mais entusiasmados que os outros. Fiquei na espreita. De repente, um pôster, nas mãos de um torcedor, que tinha um menino ao seu lado.

Fiquei calado. Não comentei com ninguém. Não vou dar informação a um companheiro para ter de dividir uma matéria com qualquer um. A matéria era só minha.

O jogo começa. A cada cesta de Oscar, a torcida ia ao delírio. Os mil pontos estavam cada vez mais próximos. E aquele torcedor tremulava, mais e mais, o pôster.

Eu já estava com medo de alguém mais ver e roubar a minha matéria. Pois o primeiro tempo se aproximava do final e, de repente, o torcedor coloca o pôster na cadeira. Seu filho ameaça pegá-lo, mas o pai impede.

Bom, corro para atrás da tabela. Quero saber o que significava aquele homem com o pôster do Oscar na mão. Seria um brasileiro, um torcedor que foi acompanhar a Olimpíada? Um ex-jogador? Em qual dos nossos times ele teria jogado?

Mas ao me aproximar, ouço seu inglês, falando com o filho e outras pessoas que ali estavam. Não tinha sotaque.

Então o chamo e me apresento. Pergunto de onde é. Responde que é de Indianápolis. Bom, foi em Indianápolis que o Brasil conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, vencendo os EUA na final. Talvez estivesse aí a explicação.

E ele me contou, então, que tinha estado no jogo e que ficou fascinado com Oscar. Aquele pôster que trazia consigo ficava atrás da porta de seu quarto, em sua casa, em Indianápolis.

Seu filho então lhe pediu que o pôster fosse para o seu quarto, assim que retornassem para casa.

Me contou que, tão logo foi definido que os Jogos seriam disputados em Atlanta, comprou ingressos para ele e o filho, para os jogos de basquete. Todos eram da Seleção dos EUA, que era o “dream team”, menos esse jogo do Brasil contra a Coreia.

Retornei ao meu lugar, mas sem tirar os jogos do local onde estavam o torcedor do pôster e seu filho.

No jogo, a alegria maior do torcedor e também de todos os brasileiros: Oscar faz uma cesta, de dois pontos e ultrapassou os mil pontos: 1001.

Ele terminaria o jogo com 25 pontos. Foi o cestinha. O Brasil venceu por 127 a 97 e se classificou para as quartas de final. Pena que se classificou para enfrentar os EUA. Aí, já viu, né?

E, terminado o jogo, a frustração do torcedor, que queria um autógrafo no pôster, mas não conseguiu, pois o vestiário brasileiro ficava do outro lado onde estava.

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