Jogos Olímpicos de Atlanta, 1996. Era a segunda Olimpíada da minha vida. Estar ali com ídolos do esporte, do Brasil e do Mundo, de todas as modalidades. Era trabalho, mas também um presente estar no meio dos maiores atletas.

Entrevistar, por exemplo, astros da NBA, Charles Barkley, Scottie Pippen, John Stockton, John Stockton, David Robinson, Shaquille O’Neal, além do astro do atletismo Michael Johnson.

E do Brasil, Oscar, Hortência, Paula, do basquete; Fernanda Venturini, Ana Moser, Ana Flávia, Hilma, Márcia Fu, Giovane, Sérgio Negrão, Tande, Nalbert, Maurício, Jaqueline, Sandra, do vôlei; Torben Grael, Robert Scheidt, da vela, e Gustavo Borges, da natação.

Pois os Jogos foram maravilhosos. Uma a uma, cobrindo as modalidades. A gente fica sem hora para nada, nem pra comer. Na Olimpíada, as competições acontecem a partir de 7h, às vezes até meia-noite.

No basquete, tínhamos, nós brasileiros, torcedores, jornalistas, uma medalha no basquete masculino – ela veio no feminino, a prata, e vibramos do mesmo jeito –, principalmente por causa do Oscar, pois era sua última Olimpíada. O “Mão Santa”, nosso maior jogador, em todos os tempos, falecido em abril deste ano.

Mas o sonho terminou nas quartas de final, quando o Brasil perdeu por 98 a 75, adivinha pra quem? Pra eles, os norte-americanos, que jogaram a Olimpíada com o dream team, que era o time formado por profissionais da NBA. Oscar foi o cestinha, com 26 pontos.

Restou a disputa do quinto lugar, contra a Grécia. Mas esse jogo ganhou uma nova conotação. Seria o último jogo de Oscar, o maior cestinha da história olímpica.

A Philip Arena estava lotada. A imprensa do mundo inteiro estava lá para ver o Oscar. A torcida gritava seu nome, sem parar. Havia uma grande expectativa para que a bola subisse, como se diz no basquete.

O Brasil perdeu o primeiro tempo. Chega a informação de que todos os jogadores entraram chorando no vestiário e foram abraçar Oscar. Ou seja, a comoção era grande. O time volta para a quadra. A Seleção Brasileira é apática.

O Brasil foi derrotado, mas Oscar marcou 20 pontos, os últimos de seus 1.093. Ele é o único a ultrapassar a marca dos mil pontos. Nossa expectativa era falar com Oscar na zona mista, o local das entrevistas após os jogos, uma espécie de corredor, onde a imprensa fica e cerca os jogadores para entrevistá-los.

Pois os jogadores passam direto. Mas nós, da imprensa, ficamos ali, na esperança que ele voltasse pra falar com a gente. Mas começam a apagar as luzes do ginásio. Decidimos, por isso, junto com norte-americanos, ingleses, italianos, espanhóis e japoneses correr para a quadra. No apagar das luzes, avisamos um membro da comissão técnica para que chamasse Oscar para nós.

Daí a pouco, para nossa sorte, ele desponta na escuridão, voltando para a quadra. Logo é cercado, e concede a coletiva.

Mas, terminada, ainda não estou satisfeito. Pergunto o que ele gostaria de fazer naquele momento. E responde: “Tomar uma Coca-Cola. Tem quatro meses que não bebo uma, para não subir de peso.”

Os jornalistas se afastaram, mas eu não. A gente se conhecia, pouco, mas conhecia. Pergunto então onde vai. E ele diz que ao Hard Rock Cafe, um night club dos EUA. E pergunta se sei de um ali perto do ginásio.

Por sorte, havia um, em frente ao ginásio. E ele, então, disse: “Vamos lá. Vem comigo”. Pois fomos lá.

Ele pensava que ninguém o conhecia. Mas chegando lá, uma surpresa. Oscar foi cercado. Todos sabiam quem era. Queriam que ele fosse jogar na NBA, diziam.

Resultado. Oscar bebeu duas garrafas, apenas. E saiu. Foi se juntar à delegação da Seleção Brasileira, que o aguardava.

Acabou. Oscar na Olimpíada, nunca mais. Mas eu estive em seus últimos momentos, aquele refrigerante e o povo que o cercou. Não era um ídolo apenas para nós brasileiros, mas também nos EUA.

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