O basquete sempre foi uma paixão. Cobrir os clubes mineiros nas várias competições – incluindo o Campeonato Brasileiro de Basquete (CBB), que tornou-se no Novo Basquete Brasil (NBB) e agora é a Liga Nacional de Basquete (LNB) – é um orgulho, ainda mais para quem praticou esporte, mesmo que por pouco tempo. Conviver no esporte é algo fascinante.
Alguns acontecimentos foram tristes, em especial para o basquete em Minas Gerais. O estado tinha dois clubes fortes, Ginástico e Minas, mas por falta de apoio, passou a ter apenas um, o Minas. O Ginástico tinha sido rebaixado e para continuar competindo, precisaria de um patrocinador, que não apareceu. Surgiu um outro time mineiro, o Uberlândia, que chegou a ser campeão nacional, em 2004.
Mas o basquete nunca saiu do Ginástico. Mesmo sem um patrocinador. Montou um time para disputar a liga de acesso à LNB. Por pouco não conseguiu a vaga.
No clube, a esperança nunca morreu. Havia o sonho de retornar. Isso seria possível, não mais com uma competição de acesso, mas a partir de um patrocínio forte. Na época, não existia um torneio de acesso. O que mandava era o patrocinador. Na LNB, o número de clubes participantes do torneio variava ano após ano.
O Minas seguia disputando. Tinha seus patrocinadores. Não apenas um, mas vários. Sempre honrou o nome do estado no esporte. O Ginástico não desistia. Aliás, foi o primeiro clube esportivo de Minas a ter um patrocinador, a Mila-Motocity, um antigo consórcio, cujo acerto foi feito para bancar a permanência do grande Gersão no clube. Foi um patrocínio antes mesmo do que o vôlei do Minas teve e voltou a contar com ele e que levou o clube ao tricampeonato brasileiro da modalidade no masculino.
Mas surgiu uma oportunidade. Um associado do clube ficou sabendo que Oscar estava sem clube. Essa era a chance de conseguir um patrocinador forte. E o meu telefone tocou. Por conhecer Oscar, fui chamado ao clube para uma ajuda, no caso, falar com o Mão Santa e tentar marcar um encontro, aqui em Belo Horizonte. Liguei para ele e acertamos sua vinda à capital mineira. Ele me pede para buscá-lo no Aeroporto, em Confins.
Além do interesse do clube, poderia fazer uma matéria exclusiva, como fiz. No dia combinado, acordei cedo, chamei meu filho, hoje jornalista, que era bem novo na época. Disse o que iríamos fazer. Ele ficou extasiado.
No aeroporto, paramos no estacionamento e fomos para o desembarque. Ainda não existia a parte nova. Oscar chegou e me deu um abraço. Apresentei meu filho e ele começou a brincar com ele, a perguntar se seria jogador de basquete.
Fomos para o carro e veio a surpresa. Tinha um Fiat Uno, que é apertado. Pois empurrei o banco, até o máximo. Ele assenta, mas não cabe. Os joelhos ficam para o alto. Disse a ele para baixar o encosto. Ainda se ajeitando, ele dispara: “Você poderia ter arrumado um carro maior, né?”. E soltou uma gargalhada.
Começamos a conversar. Tentei despistar aquele incômodo. Seguimos para o Ginástico. E meu filho espremido no banco traseiro. Na época, funcionava, no clube, um dos restaurantes mais famosos de BH, o Pier 32. “Meu Deus, Oscar vai jogar no Ginástico. Voltaríamos a ter dois clubes no Campeonato Nacional de Basquete”, pensei.
A ideia me empolgou. Chegando ao Pier 32, encontramos o dirigente Aloísio Dufles Teixeira, o Ísio, ex-treinador do clube, do qual também foi presidente.
A conversa: Oscar tinha atrás dele o patrocínio da Telemar. A empresa de telecomunicações iria para onde ele fosse jogar. E Oscar estava sem clube. E ali, um pré-acerto. Oscar estava próximo de jogar no Ginástico, o clube que revelou Gersão. era um sonho para o basquete mineiro.
Oscar estava perto de defender um clube mineiro. E se ele viesse, mesmo, outros jogadores poderiam chegar também, se juntando à prata da casa do clube, que aliás, sempre revelou e continua a revelar jogadores.
Conversa encerrada, Oscar tem de voltar ao Rio, mas pede ao Ísio para levá-lo ao aeroporto, pois meu carro é muito apertado. Oscar nunca mais voltou, a não ser para jogar contra nossos times.
O sonho do Ginástico não se realizou, pois o Flamengo entrou na jogada, e a Telemar não teve dúvidas sobre qual clube patrocinar. Lá se foi Oscar, lá se foi o sonho de voltar a disputar uma competição nacional.
Mas o sonho não morreu. O clube continua tentando. Forma jogadores.
E aquela história ficou marcada para mim como “o dia em que Oscar quase veio jogar aqui”.
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