Mais que nunca, agora sei o que é torcer pra time ruim. Falo da Selecinha Brasileira – este é um diminutivo para seleção que eu inventei para explicar o que sinto depois dessa apresentação ridícula do Brasil. Os jogadores brasileiros simplesmente assistiram, de dentro do campo, a Noruega jogar. Foram apenas 36% de posse de bola, contra 64% dos adversários.

Essa derrota não foi de agora, teve início há muito tempo. Não podemos nos esquecer que, antes do Ancelotti, comandaram a esquipe Ramón Menezes e Fernando Diniz, este um dos piores treinadores brasileiros em todos os tempos.

Assim trazem o Ancelotti, que não conhece nada de futebol brasileiro. Prova disso foi escolher um jogador que não é batedor de pênalti para a cobrança, em um dos lances mais importantes para decidir uma partida. Pior, isso mexeu com o interior do jogador, que caiu de produção e, com ele, despencou todo o time.

O que se viu na noite de domingo foi um velório em cada casa brasileira. Não a grande e desejada festa.

O jogo contra a Noruega foi a confirmação de muita coisa, como a confirmação da nossa decadência. Da covardia. Da falta de vergonha na cara.

E vem à cabeça uma música do passado: “Lá Vem o Brasil, descendo a ladeira”. “Quem desce do morro/E não morre no asfalto/Lá vem o Brasil descendo a ladeira/Na bola, no samba/Na sola, no salto/Lá vem o Brasil descendo a ladeira”.

Era no morro que saiam craques. Muitos deles chegaram à Seleção. Ganharam Copas.

A rua, outra fonte formadora de craques, não existe mais. Elas estão abarrotadas de carros, ônibus e motos. Haviam também os campos de várzea. Estes não existem mais. Deram lugar a prédios. A especulação imobiliária falou mais alto, o dinheiro.

São muitos os responsáveis por essa tragédia.

A classe política pouco se importa. Uma fonte de formação de atletas é, sem dúvida, a escola. Mas eles não se preocupam com isso. Não querem saber. Porque é fácil manobrar um país sem educação.

Ancelotti foi confirmado até 2030. O que podemos esperar? Eu, pessoalmente, acho que deveriam encostar nele e mostrar o nosso futebol raiz. Para que comece a entender como somos.

A dor maior.

Mas seria preciso mostrar também a ele a dor maior, que são os nossos meninos e meninas. Pois eles se empolgaram. Passaram a viver cada minuto, sonhando com o título. Muitos choraram na noite de domingo, aliás, milhares.

Era um tempo diferente para eles, e mesmo para os adultos. Um intervalo no dia a dia. Para torcer, ter alegria. Ao invés disso, tristeza.

Ao longo da história, a segunda pior participação, com a eliminação nas oitavas de final.

Só não foi pior que em 1966, quando caímos na primeira fase, a de grupos, com duas derrotas e uma vitória. Pois é. Agora é esperar para ver. Mas o pior é ter essa espera numa incerteza.

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