São muitas as histórias do nosso esporte, independentemente da modalidade. Muitas pra lá de pitorescas. E uma delas vem do futsal, o antigo futebol de salão. Belo Horizonte já teve, nada mais, nada menos, que 17 clubes na disputa do Campeonato Metropolitano.

Isso foi nos anos 1970. Olympico, Arsenal, Barroca, AABB, Atlético, Recreativo, Floresta, Cruzeiro, Comercial, Oásis, Orion, Palmeiras, Pinheiros, Rio Casca, Sparta, América Suburbano e São Lucas eram os participantes.

Como se vê, não eram apenas clubes, mas iniciativas esportivas, a paixão que se nutria por ele, casos do Comercial, Orion, América Suburbano e São Lucas.

Mais recentemente, uma história chama mais a atenção. Um time do bairro Horto, o Saraca, conquistava o título da competição, em 2003. Hoje, o clube está comemorando 51 anos, e vai ter festa, pois os jogadores que por lá passaram estarão se se encontrando no próximo sábado para uma confraternização.

O Saraca nasceu de uma paixão pelo futebol de salão, quando ainda era chamado assim. E nasceu apoiado pela igreja do bairro, a Paróquia Senhor Bom Jesus do Horto.

A igreja tinha uma quadra, que depois se transformou num pequeno ginásio. Seus jogos ficavam sempre lotados. O bairro inteiro acompanhava os jogos e os craques da região.

O Saraca era um time amador, que disputava competições amadoras. Era um desafio para os adversários, tanto que conquistou um grande número de títulos.

Entre os mais importantes, Troféu Gigante do Sesc, Troféu ACM, Troféu Vilarinho, Copa dos Campeões do Chiodi e Troféu PAAR. Eram competições que movimentavam praticamente toda Belo Horizonte. Naquela época, uma competição de futebol de salão agitava a cidade.

Pois o sucesso nas competições amadoras mexeram com a turma do Horto. Os jogadores e dirigentes começaram a sonhar em disputar o Campeonato Metropolitano e, porque não, o Mineiro.

Pois o sonho se tornou realidade em 2002. O time foi registrado na Federação Mineira de Futsal e começou assim uma aventura, a realização de um sonho.

No primeiro ano, somente jogadores do bairro. O time não fez feio. Terminou entre os cinco primeiros da competição. Isso acendeu uma luz, aguçou o sonho.

E os dirigentes conseguiram patrocinadores, o que possibilitou o reforço da equipe que era só de jogadores do Horto.

Os recursos do patrocínio permitiram as contratações de jogadores de peso, como o beque Zico, o ala Alessandro, revelados pelo Arsenal, o ala Jorginho, ex-Minas, o pivô Dedei, ex-Atlético.

Pois lá foi o Saraca, que conquistou o título direto. Foi campeão dos dois turnos. E com um detalhe a mais. Perdeu apenas o primeiro jogo da competição, para a AABB. Depois, só vitórias.

A decisão do primeiro turno foi contra o Minas, na Arena do clube, que tinha sido campeão da Taça Brasil, em 2002. Pois mesmo na quadra do adversário, o Saraca venceu por 2 a 1.

Estava mais próximo do título, de um feito inédito, da realização de um sonho, de muitos.

E veio o segundo turno. Era vitória atrás de vitória. Chega a hora da decisão. O desafio maior do Saraca. Jogando em casa, na quadra da Paróquia Senhor Bom Jesus do Horto.

Estava lotada. Não cabia mais ninguém na arquibancada. Ao final, a vitória dos donos da casa, por 4 a 2. E com gols inéditos. O goleiro Bolinha, um dos heróis do Horto, marcou duas vezes. Os outros dois foram de Jorginho e Tatá.

Bolinha e Ricardo, os goleiros. Na linha, Zico, Alessandro, Jorginho, Dedei, Tatá, Vandinho, Cleitinho, Hugo, Conja, Maradona e Rafael, os heróis do título. O técnico era Aécio, ex-pivô.

Pois é. Bons tempos. Pena que hoje não dão mais a importância ao esporte, pelo menos o que ele merece. Seria ótimo uma volta de todas as equipes e termos, por exemplo, onde ir assistir jogos, rodadas, quádruplas, como já aconteceu. Eram jogos às terças e quintas, em dois ginásios, no Olympico e no Sparta.

Que pena que os exemplos que vivemos não sejam mais seguidos. Parabéns ao Saraca, 51 anos, um time herói.

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