O mês de fevereiro não é só Carnaval. Para Minas Gerais, é importante também pelo surgimento e crescimento do esporte. É que dois dos maiores clubes do esporte especializado – fora o futebol de campo – nasceram neste mês, aliás, na primeira semana do mês. Estou falando do Olympico, que completa 86 anos e, Recreativo, 72.
Ambos se destacaram principalmente no futsal, outrora chamado de futebol de salão. Isso, sem falar no vôlei, basquete e natação. Pois foi no futebol de salão que os dois começaram a se destacar. No esporte da bola pesada.
No murinho do Hospital Santa Clara ou no boteco do Plínio ou ainda na barbearia do Zé Barbeiro. Era onde um grupo de jovens amigos do Bairro Serra se encontravam para colocar o papo em dia.
A paixão pelo esporte era comum entre eles e, a partir dessas conversas, nasceu o embrião do que viria a ser o Tricolor da Serra.
Uma reunião, em 4 de fevereiro de 1940, no porão da casa de Clóvis Magalhães Pinto, pai de três dos meninos, foi determinante para o nascimento do novo clube. Eles decidiram construir uma quadra para a prática do vôlei que acabou sendo erguida ao lado da casa, em um terreno vago, na Rua Chumbo, hoje Rua Professor Estêvão Pinto.
Eram 11 meninos. Eles colocaram a mão na massa. Tiveram a ajuda de maiores de idade nessa construção.
Como não possuíam maioridade jurídica na época, tiveram que contar com o apoio de pessoas adultas para construir essa primeira quadra.
Mas isso não era suficiente. Era preciso expandir o clube. Compraram um terreno. Fizeram uma sede e mais dependências para o clube. Foi nesse lote na Rua Professor Estevão Pinto. Nascia, assim, o Olympico. A sede foi sendo ampliada com o passar do tempo.
A escolha do nome se deveu ao fato de se fazer uma alusão aos Jogos Olímpicos. Mas o destaque maior foi uma modalidade esportiva que não fazia parte da lista dos esportes olímpicos, o futebol de salão.
Jorge Caram, Zé Américo, Rupiado, Nísio, Rio Preto, Gandhi, Itamar, Ascânio, Noêmio, Márcio Mineirão, Delio, Bileo e Mosquito foi o primeiro time, formado para a disputa do Campeonato juvenil da cidade. O Olympico foi campeão.
O primeiro título foi em 1958. De lá pra cá, uma série de conquistas. O ano de 1982 foi especial, pois o time conquistou a Copa Plaza, torneio internacional, mas não foi só isso. Três de seus jogadores integraram a Seleção Brasileira, campeã do primeiro Campeonato Mundial da modalidade: Walmir, Paulinho Bonfim e Jackson.
O Olympico foi Campeão Metropolitano 11 vezes: 1958, 59, 60, 61, 62, 70, 74, 75, 77, 79 e 80 e vice oito vezes: 57, 72, 73, 81, 82, 86, 2006 e 2015. Em 1960, começava o Campeonato Estadual que o Olympico ganhou oito vezes: 60, 61, 62, 70, 71, 72, 75 e 80. E foi campeão Sul-americano em 82.
O clube revelou grandes jogadores ao longo do tempo. Uma das formações mais marcantes foi sob o comando de Marcos Pinto Coelho: Toninho, Niactor, Tico Tico, Valmir, Clércio, Paulinho Bonfim e Vitalino. A ele se integraram Márcio Caio, Jackson e Cláudio Melo. Mais tarde, Walfrido e Serginho (Sérgio Valério).
O Clube Recreativo Mineiro nasceu Clube dos Viajantes. A exemplo do Olympico, revelou grandes craques, jogadores que chegaram à Seleção Brasileira e aos grandes clubes mineiros.
Dentre eles está Roberto Arantes, o “Beto Bom de Bola”, que começou a carreira de jogador no clube. Ele atingiu o auge no time profissional do Atlético, campeão brasileiro de 1971. Ele integrou o primeiro time, que teve Hervê, irmão de Telê Santana, Roosevelt, Zé Luiz, Tim, Wagner, Piau, Ziza, Dawson, Julinho, Spencer e Piau. Ziza e Spencer também se destacaram no futebol de campo, o primeiro no Atlético e o segundo jogando pelo Cruzeiro, Atlético (campeão de 1971) e América, além de ter atuado no México.
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Depois vieram os beques Ronaldo e Piu, campeões mundiais de futsal, pelo Atlético. Além deles, os goleiros Careca, Felipe Chagas e André Araújo, o “Boca”, os beques Walfrido, Claudinho Proença e Toledo; os alas Pedro Dantas e Betinho, e o pivô Cristiano Colepícolo. E que saíam da quadra para brilhar no campo, Ruy Cabeção e Tucho.
