Uma final do Campeonato Mineiro sem Atlético e sem Cruzeiro. Sabem se isso já aconteceu? A resposta é sim. Mas foi há muito tempo. Aliás, bota tempo nisso.
A primeira vez ocorreu em 1934, quando o Villa Nova, o Leão do Bonfim, sagrou-se campeão metropolitano em cima do Atlético. Mas o Campeonato Mineiro foi decidido contra o Tupinambás, de Juiz de Fora. O time de Nova Lima sagrava-se tricampeão estadual e, no ano seguinte, seria tetra.
A segunda vez foi em 1937, quando o Siderúrgica conquistou o título e o Villa Nova ficou com o vice-campeonato.
Em 2002, a Caldense foi a campeã mineira, com o Ipatinga em segundo. A competição, no entanto, não contou com as presenças de Atlético, Cruzeiro e América, que jogaram apenas o Supercampeonato Mineiro, que teve ainda as participações de Caldense e Mamoré. O Cruzeiro foi campeão.
Mas ficou nisso. Não dá, então, para imaginar uma decisão de título sem os dois gigantes do futebol estadual? Pelo contrário. Dá sim. Isso é possível de acontecer este ano, pois nunca as duas equipes passaram por uma situação tão difícil.
O Atlético é hoje apenas o terceiro colocado do Grupo A, atrás da URT, que soma 11 pontos. O segundo colocado é o Democrata, de Governador Valadares, com sete pontos, mesmo total do Galo, mas que leva vantagem no número de vitórias, duas contra uma, esta última do clássico de domingo.
O Cruzeiro é o segundo, no Grupo C, que tem o North, de Montes Claros, estreante na Primeira Divisão, com oito pontos, dois à frente da equipe celeste.
Terminar na primeira colocação não é impossível para nenhum dos dois clubes. Mas um detalhe chama a atenção: “não existe nesta edição o confronto direto dentro da chave. Ou seja, os dois times não enfrentarão os rivais de seu grupo.
Restam apenas três rodadas para o final da fase de classificação. Os dois grandes precisam vencer seus três próximos jogos para tentarem o primeiro lugar na chave. Ou então podem disputar a segunda melhor colocação do grupo. Mas o segundo na outra chave, a B, liderada pelo América, é o Pouso Alegre, que, portanto, está na briga. Soma sete pontos, ou seja, um a mais que o Galo e dois que a Raposa.
Não bastasse isso, os dois clubes fazem dois jogos como visitantes e apenas um em casa. O Atlético vai ao Sul de Minas enfrentar uma das surpresas da competição, o Pouso Alegre, que já venceu o Cruzeiro.
Depois, enfrentará o Athletic, de São João del-Rei, na Arena de Contagem. Depois, na última rodada, jogará contra o Itabirito, jogo que, aliás, ainda não tem local definido.
A situação do Cruzeiro é mais complicada, isso porque tem um clássico contra o América. Será o mandante, mas entra com a obrigação de vitória. Antes, o time celeste enfrentará o Betim, como visitante. E fará a última partida desta fase contra a URT, em Patos de Minas.
Como se vê, poderemos ter uma final ou até mesmo uma fase final inédita, sem os dois grandes.
Para muitos o calendário é o maior culpado. Verdade, pois os times retornaram há pouco mais de 20 dias. Não houve tempo de preparação adequado, enquanto os times do interior se preparam desde dezembro.
Mas existe uma outra briga que chama a atenção. Ninguém atentou, ainda, mas há uma briga ferrenha contra o rebaixamento.
Os candidatos, o Uberlândia, que tem a pior campanha até aqui, na lanterna do Grupo A, com apenas três pontos. Outro que está próximo é o Itabirito, último colocado do Grupo B, com apenas quatro pontos.
Athletic, terceiro do C, e Tombense, lanterna de B, somam cinco pontos cada um e estão com o sinal de alerta ligado.
E assim vai o nosso campeonato regional, que pode ter uma reta final bem diferente dos anos anteriores, sem Atlético e Cruzeiro.
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