No mês de julho completei 15 anos que escrevo a minha coluna aqui no jornal. É engraçado como a gente só percebe o tamanho de uma caminhada quando para e olha para trás. Pelas minhas contas, já escrevi mais de 400 colunas. Tudo começou com um convite do Carlos Marcelo. Confesso que no início fiquei na dúvida, pois nunca havia feito isso antes.

Comecei falando de futebol. Mais especificamente escrevendo uma coluna semanal sobre o meu amado Cruzeiro. Eu tinha a mania de sempre falar bem do meu time, independentemente da situação que ele estivesse, pois quem ama, cuida. Em compensação, nunca citei nominalmente o nosso rival estadual. No final de 2012, escrevi uma coluna pedindo para a torcida ter paciência com o Marcelo Oliveira, técnico recém-contratado. Aquela contratação foi o início da caminhada que nos levou ao bicampeonato brasileiro de 2013 e 2014. Foram anos emocionantes e acabei escrevendo, junto com o jornalista Bruno Mateus, o livro oficial da conquista de 2013. Como torcedor, foi uma alegria inesquecível e, como colunista, um reconhecimento que nunca imaginei.

Em 2019, por razões que guardo comigo, a coluna mudou de rumo. Passei a escrever sobre tecnologia e música, dois universos que, à primeira vista, pareciam distantes do futebol, mas que na verdade seguiam a mesma lógica: entender o que está por trás dos fatos, não só noticiá-los. Nesse novo ciclo, mais precisamente no final de 2023, escrevi uma das colunas que mais me marcaram, ela se chama “Finitude”. O Skank já havia terminado e no mesmo período eu perdi meu pai, meu ídolo e maior incentivador musical. Duas despedidas diferentes, mas que me fizeram pensar sobre os ciclos da vida. Talvez, essa seja uma das funções de um colunista: transformar dor e mudança em reflexão que também sirva para outras pessoas.

Seja falando de Cruzeiro, de música ou de tecnologia, nunca quis apenas comentar o que está acontecendo, mas tentar explicar o que esses momentos revelam em valores e suas consequências para o mundo em que vivemos. Agora, esse exercício ganhou um novo capítulo com a chegada da inteligência artificial. Não é só uma ferramenta nova, é uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com a tecnologia, com o trabalho, com a criatividade e até com a própria ideia de verdade.

Olhando para esses 15 anos, vejo um fio que nunca se rompeu, mesmo quando os temas mudaram. O passado foi o Cruzeiro e a paixão por um time num esporte que ensina até nas derrotas. O presente é a tecnologia e a música, tentando decifrar um mundo que muda mais rápido do que conseguimos absorver. E para o futuro, sinceramente, eu não sei qual será o assunto da próxima coluna. A certeza é que continuarei tentando fazer o que mais gosto, olhar para o que está acontecendo e tentar, através das palavras, explicar o que me seduz ou aflige.

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Obrigado, caro leitor que me acompanha desde o início ou que está me conhecendo agora. Quem escreve esta coluna sou eu, mas ela só existe porque alguém do outro lado decide, toda vez, dar mais alguns minutos de atenção a ela.

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