Os seguidos vexames desse elenco milionário do Cruzeiro não deixa margem para um leque amplo de respostas a uma pergunta: o treinador Artur Jorge é incompetente tecnicamente ou incompetente em tornar pública alguma resistência dos próprios jogadores ao seu trabalho técnico?
Caminhando aqui pelas roças de Sumidouro, em Mariana, olhando para o pasto, veio à mente um jargão bem direto para resumir qual atitude se espera do treinador português: faz ou sai da moita. Simples assim!
A cada partida, novos episódios deixam muito claro que algo está fora da ordem dentro do Cruzeiro. Vexames como o de ontem e contra o Vasco. Desclassificações absurdas nas principais competições. Discussões estúpidas como a de Matheus Pereira e Kaio Jorge pela cobrança de um pênalti.
O tempo vai passando e, de vez em quando, uma vitória para fazer as feridas – claramente abertas – pararem de arder. Mas a verdade é que elas não curam. Ao contrário, estão ficando cada vez mais infeccionadas e o corpo, que ao longo da temporada já perder partes – como a esperança de um grande título –, fica mais próximo de uma morte por choque séptico, que seria o retrato de uma não-classificação para a Libertadores 2027.
No meio de tudo isso, infelizmente, uma constatação: o nosso dirigente máximo, Pedrinho do SuperPovão BH, não tem o perfil de que chega chutando a porta ou dando tapa na mesa – linguajar que marmanjos endinheirados e cheios de “não me toques”, como os jogadores de futebol, entenderiam.
Essa aparente apatia, parece se estender a Pedro Junio e Bruno Spindel. Voltando ao linguajar popular, é o famoso “não fedem, nem cheiram” quando o assunto é dar esporro.
Não há aqui qualquer defesa ou “passada de pano” para jogadores com salários astronômicos, como Matheus Pereira e Gerson, por exemplo. Ao contrário, os dois e a maioria esmagadora dos demais integrantes do elenco não estão entregando o que deveriam (e são muito bem pagos para tal).
Raça, para alguns, como Romero, Arroyo e Villalba, não tem faltado. Talento e vontade em campo para jovens, como Zé Lucas e Jonathan Jesus, também não. Qualidade técnica acima da média para alguns, como os próprios Matheus Pereira e Gerson, tampouco. Mas isso não tem dado liga. Na verdade, tem evidenciado a bagunça constante dentro de um Cruzeiro, onde o jogo coletivo tem sido uma lástima.
Então, qual a causa desse problemão? Algum ranço ou ação orquestrada do elenco contra o treinador? Racha no grupo por brigas internas? Vaidade, falta de vontade e descompromisso profissional?
Dirão: “vocês não estão no dia a dia da Toca da Raposa.”
Verdade, não estamos. Sabe por que? Porque nós estamos comprando ingressos, camisas e produtos credenciados; pagando boletos do programa de sócio torcedor; formando uma massa de 12 milhões de pessoas (consumidores) com a qual vocês barganham os valores de patrocínios... e por aí em diante.
Se jogadores “dão de ombros” e se a diretoria não tem o perfil de cobrar publicamente a incompetência instaurada, chegou o momento de Artur Jorge se posicionar. Se algo interno dos jogadores tem prejudicado o coletivo, é chegada a hora de ter peito e afastar a(s) laranja(s) podre(s). Não precisamos ir longe na memória para recordar que a virada de chave com Leonardo Jardim se deu somente após ele ter a coragem de enxotar Dudu do grupo e colocar Gabriel no banco de reservas.
Fica a pergunta, Artur Jorge: se isso estiver acontecendo, você vai se deixar queimar sozinho e, consequentemente, levar o Cruzeiro junto para essa fogueira?
Porque se tudo estiver a mil maravilhas dentro do elenco, só restará uma resposta: Artur Jorge fracassou tecnicamente na sua passagem pelo Cruzeiro, como pudemos ver contra o Flamengo e o Atlético de Lourdes nas desclassificações da Libertadores e da Copa do Brasil, respectivamente.
Em meio ao vergonhoso silêncio dos jogadores e a inércia da diretoria, só restou você para nos responder, Artur Jorge.
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