A “super Data Fifa” vai proporcionar 16 dias de paralisação das partidas do Cruzeiro e do resto dos clubes do Brasileirão. A esperança é que, desta vez, comissão técnica, jogadores e diretoria da SAF saibam aproveitar a pausa para melhorar, e não para deitar em berço esplêndido ou para piorar, como aconteceu nas vezes passadas.
Um exemplo mais recente foi a paralisação para a Copa do Mundo de 2026, que nos tirou de um ciclo de superações e esperanças reais de conquistas para nos colocar no limbo da decepção e da desconfiança em relação ao nosso elenco de jogadores, comissão técnica e diretoria.
Naquele fechamento do mês de maio, consolidamos uma arrancada no Brasileirão, que nos tirou da lanterna da competição e nos colocou diretamente na briga pela zona de classificação para a Libertadores.
Na própria competição continental, também fechamos aquele momento com outra arrancada. Depois de perdemos para a Universidad Católica, no Mineirão, pela segunda rodada, pontuamos em todas as demais e fomos para a pausa da Copa do Mundo classificados para as oitavas de final da Libertadores. Mantendo a marca de ser o único clube brasileiro jamais eliminado na fase de grupos do torneio.
Na Copa do Brasil, havíamos estreado, entrando na quinta fase da competição. Pelo momento, era de se esperar uma passagem tranquila sobre o combalido – naquele instante – Goiás. Não foi o que aconteceu. A classificação foi heroica, com muita força, garra e entrega do time para colocar o Cruzeiro no caminho do hepta.
A arrancada sensacional no Brasileirão e as classificações na Libertadores e Copa do Brasil, conquistadas com muita luta, entrega e “sangue nos olhos” dos jogadores, também foram fundamentais para criar a admiração da Nação Azul pelo técnico Artur Jorge, algo que, naquele momento da paralisação da temporada para a disputa da Copa do Mundo, era até fácil de acontecer – por conta da comparação do trabalho do português com os números e a apatia de seu antecessor, Tite.
O desempenho pífio e a desclassificação prematura da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, combinados com o bom retrospecto deixado pelo escrete celeste até a paralisação, foi combustível para deixar a Nação Azul ainda mais ávida pela volta do Cruzeiro aos campos de batalha.
Quando isso aconteceu, o que se viu foi um apagão geral. Desclassificações bizarras na Libertadores e na Copa do Brasil por erros grosseiros do técnico Artur Jorge e por uma falta de gana lastimável e inaceitável da maioria dos jogadores.
No Brasileirão, a arrancada se transformou em ameaça de se ver fora até da zona de classificação para a Libertadores de 2027. E nem mesmo o triunfo contra o Vitória, no último final de semana, deixa algum sentimento de alívio quanto à performance do Cruzeiro quando do retorno, após essa Data Fifa que começou nesta semana.
Antes da peleja em Salvador, no vestiário, Matheus Pereira falou aos companheiros para se apegarem às suas famílias. Ao final da partida contra o Vitória, Artur Jorge, nas entrelinhas, para elogiar os jogadores, fez o contraponto aos “muitos inimigos e adversários”, claramente se referindo à imprensa (e suas caricaturas chamadas influencers) ou mesmo à parte da torcida do Cruzeiro. Para ele, esses não são “quem realmente gosta de nós (elenco e comissão técnica)”.
Pena que, na entrevista do treinador, faltou alguém para replicar a sua declaração, pedindo que ele fosse explícito e direto em dizer quem seriam esses novos “inimigos e adversários” que não gostam deles.
Será que são os mesmos que os ovacionam quando ganham? Os mesmos que aplaudem mesmo quando perdem, mas demonstrando entrega total?
Enquanto Artur Jorge não responde, fica um pedido aqui de um dos cruzeirenses que gosta do Cruzeiro muito mais do que ele pensa: espero que eles (Artur Jorge e elenco) voltem da paralisação da Data Fifa com o amor, o respeito e a entrega total em campo, como Villalba faz, por exemplo. Porque esse, sim, gosta de jogar por nós.
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