Todo choro tem um porquê. Como vem das entranhas, só o dono sabe o seu real motivo. Se dor, vergonha, raiva, ansiedade, desespero, saudade, alegria ou fingimento. Em algumas situações, pode ter uma, duas ou até três razões misturadas.
No dia 8 de setembro de 2019, quando o juiz apitou o fim da partida sob o sol do início da tarde dominical, um dos líderes do time começou a chorar copiosamente, próximo ao círculo central do gramado, no estádio Independência, em Belo Horizonte.
Amparado apenas por alguns poucos companheiros de equipe, Henrique chegava a soluçar. O soluço afastava a possibilidade das lágrimas serem fingidas.
Sob o olhar dos torcedores nas arquibancadas, o meio campista levava uma mão ao rosto, e com a outra, puxava a barra da camisa até a altura dos olhos. Vergonha, desespero ou alegria? O placar de 4 a 1 para o Grêmio, contra o Cruzeiro, afastava a possibilidade das lágrimas serem de cunho feliz.
Ainda com os olhos marejados, mas sozinho, Henrique desabafou aos microfones: “Depois de uma partida dessa, de muitos erros novamente, nós ficamos putos e revoltados com o resultado, porque nós não podemos aceitar isso. Vão se passando os jogos, a gente vai sofrendo derrotas, e a gente não pode ficar da forma que está, aceitar essa situação [...] Estamos ficando só na palavra e nossas atitudes dentro do campo não estão acontecendo [...] Temos que olhar para dentro da gente para depois olhar para o próximo”.
Dias antes, o Cruzeiro havia sido eliminado da Copa do Brasil pelo Internacional. Nos noticiários esportivos e policiais, pipocavam denúncias e revelações sobre os escândalos protagonizados pela organização criminosa de Wagner Nonato Pires Machado de Sá e o então Conselho Paquiderme Deliberativo do Cruzeiro Esporte Clube.
Faltavam ainda dezenove rodadas para o encerramento do Campeonato Brasileiro. A vexatória derrota para os gaúchos punha o time à beira da zona do rebaixamento. Foi nesse jogo que o técnico Rogério Ceni resolveu peitar os medalhões e delegou Thiago Neves ao banco de reservas. O contra-ataque daquele elenco de bandidos, todos sabemos o resultado que nos proporcionou.
O cenário do pós-choro de Fabrício Bruno, sábado passado, ao final da vergonhosa derrota para o Santos, não é tão devastador quanto o pós-choro de Henrique, em 2019. Mesmo porque se sabe o final trágico daquela história que, graças aos pontos conquistados no início do retorno do atual certame, não se repetirá em 2026.
Mas, afinal, o que está por detrás das lágrimas do zagueiro? Só dor física, anunciada por ele no desabafo e a vergonha pelo gol contra? Raiva por algo – ou de alguém, de alguns?
Na crônica da última semana, já alertava para o perigo de uma suposta falta de pulso e comando da diretoria da SAF Cruzeiro para com o elenco. Nos tempos de Tite, também fiz o mesmo. Agora, essa constatação já está compartilhada também por boa parte da crônica esportiva e da própria Nação Azul.
O choro e as declarações de Fabrício Bruno não podem ficar sem respostas internas e externas. Se existe algo desandando dentro do elenco cruzeirense (o que, cada vez mais, parece ser real), é urgente que se estanque. Se o departamento de futebol não está entregando o que o investimento e a torcida merecem, que cabeças rolem.
É preciso um sacode geral sem mais panos quentes. A Nação Azul merece receber um pedido de desculpas não em palavras ou lágrimas, mas, sim, com atitude dentro de campo nas próximas partidas. Porque, se o Cruzeiro não reconquistar as arquibancadas, nem a Libertadores 2027 nos restará.
Então, marmanjos, se fechem em uma sala da Toca da Raposa, quantas horas e quantas porradas forem necessárias, mas engulam o choro e voltem a honrar o salário astronômico que recebem!
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