“O Cruzeiro depende só dele para se classificar. Esse é o problema...”
Irônica? Divertida? Perversa? Mítica? Racional? Passional? Qual a conotação dessa reflexão que tem se repetido à exaustão nas resenhas do pós-jogo nas arquibancadas, por entre goles de cerveja nos bares e mesmo nos debates mais circunspectos sobre o Cruzeiro?
Ela nasceu por uma sequência de derrotas ou insucessos do nosso time em momentos em que a Nação Azul, confiante, lotou o Mineirão e acabou por sair decepcionada.
Em 2025, no Campeonato Brasileiro, esse fato aconteceu algumas vezes. O time embalado por vitórias expressivas fora de casa. As arquibancadas abarrotadas, registrando recordes de público. A certeza de uma vitória antes mesmo do apito inicial. Derrotas para Ceará (2 x 1) e para Santos (2 x 1), além do empate contra o Sport (1 x 1). Duchas de água fria.
“Depender só de si é o problema do Cruzeiro.” Puro folclore! Eu diria. Em algumas ocasiões, o nosso escrete falhou em momentos inimagináveis. Em 2026, também tivemos episódios semelhantes. Um exemplo foram as derrotas para o Atlético de Lourdes e para o Universidad Católica, pelo Brasileirão e pela Libertadores, respectivamente. Mas tratar isso como uma regra ou um carma celeste seria muito raso – e folclórico.
Na história do Palestra/Cruzeiro momentos de superação oriundos da própria força de reação do nosso escrete são infinitamente maiores – em número e epopeia – do que os de malogro quando “só dependia da gente”. A conquista da Libertadores de 1997 é um exemplo magnífico desse poderio cruzeirense.
Naquela edição do torneio, perdemos as três primeiras partidas para o Grêmio e para os peruanos Alianza e Sporting Cristal. Pela primeira vez, desde 1967, o Cruzeiro estava a menos de um passo de ser eliminado na fase de grupos – somos o único brasileiro que jamais caiu nessa etapa da competição.
Mas dependíamos apenas de nossas forças, por mais que ninguém acreditasse mais nelas. E conseguimos! Vencemos os mesmos três adversários e nos classificamos para as fases de mata-mata. Saímos campeões.
Amanhã entraremos em campo dependendo apenas de nós mesmos para nos classificarmos às oitavas de final da Libertadores. Uma vitória simples contra o já eliminado Barcelona de Guayaquil-EQU nos garante. “Esse é o problema”, diriam os folclóricos.
Fato é que, quem viu de perto o Cruzeiro suportar a guerra de La Bombonera, na última semana, sabe que não existem motivos para desconfiar da gana do nosso escrete por buscar essa classificação.
Se para uns, entrar em campo na última rodada dependendo só de si, é um problema, para outros tantos – entre os quais me escalo –, esse fato é resultado de muita entrega e raça do nosso time no grupo tachado, no início da competição, como sendo “da morte” – o que se provou até aqui.
Seremos mais de 50.000 nas arquibancadas na noite desta quinta-feira (28/5). Em campo, teremos 11 guerreiros. Sob o céu, na Pampulha, viveremos uma batalha para mantermos a escrita de jamais cair na fase de grupos da Libertadores. Venceremos o Barcelona! Em uma guerra como essa, não existe a mínima possibilidade de pensarmos em folclore.
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