No meio do caminho da virada de chave entre a Copa do Brasil e a Libertadores da América, teremos o líder do Brasileirão pela frente. Porém, infelizmente, não há tempo para dedicar o escrete principal para a peleja de sábado, contra o Palmeiras, em São Paulo. Isso porque estamos a menos de uma semana da verdadeira guerra que nos aguarda na Argentina.
A partida em La Bombonera, templo considerado sagrado pelos argentinos, será de “vida ou morte” para ambos – Cruzeiro e Boca Juniors. Quem perder não dependerá só de si na última rodada da fase de grupos, para se classificar às oitavas de final.
Ao time estrelado, um empate também daria a vantagem de só depender do nosso desempenho contra o Barcelona de Guayaquil, na última rodada. Mas entrar no caldeirão de La Bombonera retrancado, segurando o resultado, é sinônimo de suicídio. Tanto pela pressão que virá das arquibancadas, como também a de dentro do campo, pois, recuados, estaremos mais propensos a cometer faltas. E faltas jogando como visitante, na Libertadores, onde a catimba é tática vitoriosa, significarão cartões amarelos e vermelhos.
Outro fator para reforçar a necessidade de Artur Jorge preservar o nosso escrete principal contra o Palmeiras, é o fato de o Boca Juniors estar – desde o último sábado – apenas treinando e se recuperando para a batalha da próxima terça-feira.
Para apimentar ainda mais, entre “la hinchada” do Boca, a narrativa construída é a de que os argentinos foram roubados no Mineirão, na derrota por 1 a 0. Além disso, transformaram Matheus Pereira em bode expiatório para desviar o foco da própria incompetência.
Tudo isso funcionou para a inflamar ao nível máximo a temperatura para a partida que se avizinha. Dela só sairemos vencedores se estivermos vidrados, completos física e mentalmente e, principalmente, se nossos jogadores entrarem em campo com corpos e almas revestidos pelo espírito dos maiores guerreiros libertadores da América Latina.
Será preciso sangue nos olhos até o final da partida. E durante, toda ela, concentração total para conseguir o máximo de roubadas de bola que possam se transformar em contra-ataques velozes – e mortíferos.
Por mais que juraram Matheus Pereira, os argentinos não são inocentes quanto à arbitragem. Se fizerem uma caçada ao nosso 10, logo serão punidos. Mas isso se o Cruzeiro aprender a guerrear no “modo Libertas”.
A passividade contra a violência, a catimba e a falta de punição para ambas não é característica só desse elenco atual. É histórica a postura do Cruzeiro de não pressionar a arbitragem e com isso, praticamente, entrar em campo sempre “com um a menos”. Deixa a impressão de estar escrito no estatuto do clube: “não reclamarás, mesmo que sejas furtado”.
Isso vem de 1967, na nossa primeira participação na Libertadores, quando, no triangular da semifinal, precisávamos de apenas um empate em dois jogos no Uruguai, contra Nacional e Peñarol, para disputarmos o título contra o Racing. Duas verdadeiras guerras sangrentas, onde, inocente, o nosso time sucumbiu à catimba e à violência não repreendida.
Só fomos vencer a primeira Libertadores exatamente porque, na final de 1976, incorporamos o que nos faltava: a malandragem. Em 1997, só chegamos à segunda final – e ao consequente bicampeonato – porque tínhamos um time que não levava desaforo para casa. Mas em outras inúmeras edições do torneio, por mais que tivéssemos times tecnicamente superiores, sucumbimos.
Arrisquemos perder três pontos contra o Palmeiras, mas jamais chegar em La Bombonera com um escrete avariado. Existem batalhas que só são vencidas quando os guerreiros entram dispostos a darem suas vidas. Terça-feira, contra o Boca Juniors, será uma dessas.
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