Passados dois meses, ainda está na memória a amarga desclassificação na Copa do Brasil para o Corinthians. Por que jogamos tão mal a partida de ida, ao ponto de perder dentro de casa para um adversário muito inferior tecnicamente? Dorival Júnior deu um nó tático em Leonardo Jardim? Não faltou um pouco mais catimba para segurar o 2 a 0 na peleja de volta? Por que Wallace e Gabriel bateram tão mal suas cobranças na disputa por pênaltis?
Perguntas ainda sem respostas. E mesmo que elas sejam respondidas, de nada adiantará. De lá para cá, Leonardo Jardim e Gabriel foram embora. Wallace, quase. Dorival e Corinthians foram campeões e se consolidaram ao levarem ainda a Supercopa do Brasil, batendo o Flamengo.
Na noite de hoje, teremos pela frente, novamente, o Corinthians. E o Cruzeiro? Como chega para a peleja de logo mais contra o mesmo time que ajudou a ressuscitar em 2025?
Poderíamos estar bem pior, mas ainda nos encontramos longe do que a Nação Azul esperava para esse início (nem tão “início” assim...) de temporada, repleta de sonhos por títulos. Achar um cruzeirense completamente confiante em relação ao escrete de Tite é como encontrar agulha no palheiro.
A blindagem feita pelos jogadores em torno do treinador após as críticas ferozes quanto a sua capacidade de conduzir o time tem surtido efeito. Afinal, o time acabou terminando a primeira fase da Country Cup com a melhor campanha e já largou na frente nas semifinais. Porém, isso está longe de se traduzir em confiança e estabilidade.
Onde realmente importa – no Campeonato Brasileiro –, são três partidas sem vitórias. Duas derrotas, um empate e nenhuma atuação perto do razoável. Era de se esperar que chegássemos à peleja de logo mais, contra o Corinthians, já entre os líderes do certame, e não como lanterna.
Ponto positivo é que a postura em campo nas duas últimas partidas (URT e Pouso Alegre) já está bem diferente. Em campo, os jogadores parecem ter assumido a responsabilidade, mas o futebol ainda está longe de ser vistoso. Não é possível olhar para o gramado e enxergar um Cruzeiro poderoso, mortal, capaz de resolver a partida com domínio e facilidade. Tampouco, enxergamos em nossos adversários uma postura acuada, como quem acusa o golpe diante de uma suposta superioridade do nosso escrete.
O time montado por Tite ainda possui muitas dificuldades defensivas. Nossa zaga anda muito exposta. A falta de um esquema claro de cobertura dos laterais, a cada partida, tem resultado em gols sofridos.
O ataque também é uma incógnita. Quem será o companheiro de ataque de Kaio Jorge? Arroyo ou fará sentido uma dobradinha com Bruno Rodrigues?
Por outro lado, a afinação entre Gerson e Matheus Pereira, tão sonhada pelo próprio Tite, tem dado sinais de que está por vir. A qualidade da dupla para potencializar a criação de jogadas é indiscutível e é a aposta para reencontrarmos o futebol vistoso de 2025.
As apresentações contra URT e Pouso Alegre diminuíram a desconfiança, mas uma boa vitória na noite de hoje, contra o Corinthians, essa sim, será a demonstração de que podemos voltar a ter esperança no trabalho de Tite.
Vencendo, o Cruzeirão terá, enfim, entrado de cabeça em 2026. Caso contrário, aqueles pênaltis da semifinal da Copa do Brasil continuarão a nos atormentar.
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