Cerveja, refrigerante, água ou os resíduos de algum desses três líquidos.


Sobre a peleja do último domingo na Arena dos Bilionários do Brasil Miséria, o que ficou para a história do futebol não foi o placar de 2 a 1, as polêmicas dos dois pênaltis não marcados (um para cada lado) ou a ressurreição do Atlético de Lourdes na tabela. Na posteridade estará a imagem icônica de Kaio Jorge respondendo à agressão da Turma do Sapatênis de uma maneira épica, segurando no ar e bebendo um gole do copo de cólera lançado no gramado logo após marcar mais um gol sobre seu freguês favorito, Éverson.


Isso para a história do futebol e para alimentar provocações. Mas e para o restante da temporada do Cruzeiro? Para que realmente importou essa partida pela Country Cup?


Como toda derrota, a de domingo deve ser analisada ao máximo para que erros e falhas se transformem rapidamente em lições. Para diretoria, jogadores, comissão técnica e também (por que não?) para a Nação Azul.


É preciso entender que inícios de temporada, com transição entre comissões técnicas, sempre são complexos. Mesmo que elenco e time titular não tenham se alterado tanto, o simples fato de termos um novo comandante, com sua nova filosofia de jogo, demanda tempo de adaptação – e paciência.


O próprio Leonardo Jardim, tão exaltado pela transformação que fez no Cruzeiro em 2025, há exato um ano, no início de seu trabalho em transição ao de Fernando Diniz, também estava sendo derrotado e até desclassificado em duas competições.


Não esperemos – torcida e jogadores – que Tite passe incólume nesse seu começo à frente do Cruzeiro. Ao mesmo tempo, não criemos a falsa expectativa de que ele deveria ser uma simples “fase 2” do mesmo jeito de jogar de Leonardo Jardim. E nem deve!


Apesar de ambos serem adeptos ao jogo agudo, agressivo e objetivo para chegar de forma mortal à grande área do oponente, eles usam pontos de partida bem diferentes: a obsessão – ou não – pela posse de bola.


Jardim gostava (e fazia questão de se vangloriar dessa tática) de deixar a bola nos pés do adversário; lhe dar campo de jogo e para aí sim roubar a pelota e sair em velocidade. Foi assim, por exemplo, que Kaio Jorge se consolidou como artilheiro.


Já Tite prefere ser “o dono da bola”. Com ela nos pés, empurrar o oponente para trás até marcar o tento por pressão. O gol histórico de Kaio Jorge, domingo passado, mostra isso. Quando o bote foi dado pelo goleador, já eram oito jogadores do Cruzeiro tocando a bola no campo de defesa do Atlético de Lourdes.


Tá, mas o Cruzeiro do Tite perdeu para o mesmo adversário que Leonardo Jardim amassou. Isso quer dizer que o estilo anterior é melhor? Não! E, talvez, no cenário de 2026, ele nem funcionaria.


Longe de desmerecer o trabalho primoroso de Leonardo Jardim, mas é preciso colocar um ponto de atenção. O fato de o Cruzeiro, em 2025, vir de temporadas seguidas em baixa, fez com que a maioria dos seus adversários iniciassem as partidas “partindo para cima” do Cabuloso. Tudo que o “mister” queria para que sua filosofia de jogo prosperasse. Não por menos, o desempenho como visitante chegou a ser superior do que dentro do Mineirão, quando era preciso ter a bola e propor o jogo.


Em 2026, tido como um dos três principais times desta temporada, listado como favorito a disputar títulos e com o elenco apontado como um dos melhores do país, certamente o Cruzeiro não terá muitas chances de encarar as partidas dando a bola ao adversário ou sendo apenas reativo e agudo em contra-ataques.


A lição da derrota de domingo, o gole de cólera que jogadores e torcida precisam transformar rapidamente em remédio para o restante da temporada, é exatamente entender que, daqui por diante, será vital para o Cruzeiro se adaptar ao jogo de posse de bola.


Se perdemos para o Atlético de Lourdes porque não soubemos jogar tendo a pelota a nosso favor, teremos que aprender muito rapidamente, pois são times recuados que enfrentaremos pelo Brasileirão e pela Libertadores em 2026.

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