Era outro dia mesmo, quando a gente cantou os parabéns de 105 anos do Palestra/Cruzeiro, no Ginásio Dona Salomé, na sede do Barro Preto. Nem um mês da virada se passou. Tanto que o sal do mar de Guarapari ainda está pregado no corpo. A fatura do cartão de crédito, recheada de picolés e milho cozido ingeridos pela criançada nas férias, está obesa e em aberto. Pior. Com a lista de material escolar à espreita, tipo Chuck, o Brinquedo Assassino.
Esse 2026 mal chegou e, em hipótese alguma, vai se enquadrar na máxima brasileira de que “o ano só começa depois do Carnaval”. Seja nos presídios de Brasília, nas praias completamente lotadas de Norte a Sul, no vergonhoso noticiário internacional ou no calendário do querido esporte bretão, o futebol, o ritmo está mais acelerado do que as arrancadas do Kaio Jorge.
O ano veio capotando igual ao meu irmão Guilherme Piu nas placas de publicidade do Mineirão. Que loucura, não é?
Para o Cruzeiro, por exemplo, até aqui, já foram três partidas e oito gols, com direito a derrota de um lado e goleada de mão cheia de outro. E vai ficar ainda mais frenético, igual a “pipoca” do Carnaval de Salvador.
Antes mesmo do Galo da Madrugada cruzar o Capibaribe, em Recife, relembrando o enredo patético da Turma do Sapatênis tentando lhe roubar o nome, o escrete celeste já terá disputado todas as oito partidas da primeira fase do Campeonato Mineiro. Uma maratona disputadíssima, ainda mais nesse ano em que a Country Cup será o único torneio com chance de título para os outros 11 participantes do certame.
Não vai parar aí. Antes do Bloco Branco e Preto dos Amigos do Vorcaro desfilar pela Avenida da Lavagem, no Circuito Lourdes-Igrejas-Lagoinha, o Cabuloso também terá realizado três partidas pelo Brasileirão. Sendo duas delas dificílimas, contra times que também estão na Copa Libertadores (Botafogo e Mirassol).
Apesar desse sufoco prematuro de calendário desportivo de um ano que não esperou o Carnaval para começar, o sentimento que vem junto à Nação Azul é o da positividade. Sem “oba-oba”, mas com muita confiança no planejamento feito pela diretoria.
2026 é – de fato – o primeiro ano no qual a atual SAF Cruzeiro pode iniciar seu trabalho sem a necessidade de apagar incêndios; estando livre de gestores ultrapassados e podendo mirar – com mais precisão – um futuro promissor.
A determinação com que Pedrinho do Super Povão BH segurou e valorizou contratualmente as principais peças do nosso escrete foi de fazer a torcida bater no peito, orgulhosa.
O final infeliz da grande festa pirotécnica para receber Gabriel, no início de 2025, também deixou lições. Pedrinho foi ousado e surpreendente em trazer Gerson, o Coringa Cabuloso, mas não fez da maior contratação da história do futebol brasileiro um pré-Carnaval.
O Cruzeiro tem sido apontado por toda a crônica esportiva nacional como a equipe capaz de ameaçar a dobradinha Palmeiras-Flamengo em 2026. De fato, o desempenho nacional do ano passado, combinado com a montagem e permanência do elenco para essa temporada, por si só, credenciam o Time do Povo Mineiro para tal.
Mas já somos bem vacinados para não cair na esparrela de acreditar que esse amor é genuíno, pueril e verdadeiro. Todos esses elogios são o suco da passageira paixão de Carnaval e, certamente, ela vai terminar na Quarta-feira de Cinzas.
Porque basta ao cruzeirense voltar a poder sorrir para incomodar rapidamente muita gente de alma pequena. O simples fato de o Cruzeiro iniciar o ano realizando contratações de expressão e voltar a ocupar o lugar de maior expoente do futebol brasileiro fora do Eixo RJ-SP-Bairro-de-Lourdes já foi o suficiente, inclusive, para provocar até crise onde ele nem colocou os pés ou os gols (ainda).
Então, bora lá seguirmos juntos – torcida, diretoria e time – para fazer do rápido e acelerado 2026 um cometa azul!
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